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Domingo em Família

Tudo começou num domingo à tarde. Depois do almoço com a família da esposa, tirar um cochilo naquele sofá velho era mais que inevitável. Ele ligou a tv, descalçou os sapatos e se esparramou. Em menos de 5 minutos, antes do jogo começar, ele já estava dormindo.

Leila, a esposa, não gostava nada disso. Estavam casados há 25 anos, e todo domingo era a mesma coisa. Mas desta vez, seria diferente. Ela estava extremamente irritada com aquela situação. O pouco caso do marido havia atingido o último nível do seu limite.

Já a noite, no caminho de volta para casa, ela resolveu falar. Disse que era um absurdo ele passar o domingo dormindo, que era uma falta de respeito com a sua mãe, que isso mostrava o pouco caso que ele tinha com sua família. Além disso, ainda falou que ele era um pai ausente, pois nem o futebol ele tinha mais paciência para assistir com o filho.

Aquilo caiu como uma bomba. Tudo bem que a sua sogra era mesmo irritante, que realmente ele não tinha paciência para aturar os irmãos dela contarem sempre as mesmas piadas idiotas e que assistir futebol na tv já não o animava nem um pouco, mas agüentar essas ofensas só por causa de um cochilo já era demais. Ele estava decidido a tomar uma atitude.

No domingo seguinte, lá foram eles para a casa da sogra. Família reunida, almoço na mesa. Um dos irmãos contou uma piada, aquela mesma, da semana retrasada. Leila ameaçou esboçar uma risada, mas ele riu mais alto. Até engasgou. Ela se levantou para servir a mãe, mas ele foi mais rápido e serviu a sogra. Desta vez, foi ele quem puxou a oração e ainda ajudou a tirar a mesa. Leila não estava entendendo nada. Ele estava muito diferente.

Depois do almoço, ele foi para o sofá. Mas desta vez, chamou o sogro, o filho, os irmãos de sua esposa e até a sogra. Não deitou. Não tirou os sapatos. Assistiu ao jogo com a família. Gritou gol, comemorou, esmurrou o armário. Depois do jogo, antes que Leila pudesse pensar nisso, ainda fez o café e serviu a família toda.

Já a noite, no caminho de volta para casa, o sorriso estava estampado em seu rosto. Ele nunca havia se divertido tanto em um domingo na casa da família da esposa. Mas Leila estava irritada. Aquele não era o seu marido.

No domingo seguinte, foi a mesma coisa. Só que o sorriso em seu rosto, era ainda maior. Ela não o reconhecia mais. Aquela felicidade, aquela empolgação, aquela alegria de viver não combinavam com ele. Leila não podia suportar uma coisa dessas. Era como se ela estivesse traindo seu verdadeiro marido. E traição era uma coisa que ela não admitia. Leila então se arrependeu profundamente de ter tido aquela conversa da semana retrasada, respirou fundo e pediu o divórcio.

Ricardo Polinesio
Enviado por Ricardo Polinesio em 23/10/2007
Código do texto: T706088

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Sobre o autor
Ricardo Polinesio
São Paulo - São Paulo - Brasil, 37 anos
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Ricardo Polinesio