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Pátria de chuteiras

Eu ainda estava com a chuteira no bico do coração, quando a torcida sofria alegremente o hino nacional, e algum político me arrancava minha ultima nota de esperança que trazia na carteira. Às vezes quando tenho febre chego a acreditar que o Brasil terá um berço esplendido as margens plácidas, mas como palha ao fogo logo se esvai, rumo a algum paraíso fiscal. Mas ali, diante de milionários da bola, como deuses no tapete, o Brasil passa suas sujeiras fétidas para debaixo do gramado. Meus pedidos de socorro, são abafados pelas vaias, não por falta de ética, mas por falta de gols, alimento pago a preço de caviar, com sustança de plumas.
Somos um país doente, país do jeitinho, o Brasil vem sendo dragado por oceânicos canais, e se mantém de pé, não se sabe como. Toda a fortuna usurpada desta nação, não foi páreo para o jeitinho, tudo se pode, tudo se consegue, pouco importa de que forma. Há o velho ditado: “O que os olhos não vêem, o coração não sente”. Neste país, não se têm os dois ao mesmo tempo, ou nasceram sem coração para carreiras políticas, ou têm os olhos arrancados por urubus ávidos de poder.
Eu não vejo meus impostos voando pelo ladrão, são milhões, mas nem liga, tem futebol na quarta, ou no domingo, e com a escrete canarinho há quem possa, e seguimos a canção, lacrimejando.
“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas...”
Mais um rio corrente se forma. Pode ser que neste rio de lágrimas, possa um dia quem sabe, proclamarmos a independência deste povo. Em campo milhões de dólares lado a lado, sem lembrar qual a língua fala o povaréu em prantos nas arquibancadas. Torcedores são mortos por rivais, como se isso fizesse diferença em campo. Estive na final do campeonato Gaúcho da série B, no estádio do Inter - SM, torcendo para este ascender a serie A, mesmo sendo eu torcedor do adversário, que já estava fora da competição. Não vejo problema algum nisso, faço piadas sobre meu próprio time. Se matar ganhasse jogo,o time FC Start da Ucrânia, não teria ganhado tantas partidas, como forma de resistência diante da invasão Nazista. Mesmo com a morte de quatro jogadores - Kuzmenko, Klimenko, Korotkykh e Trusevich – e a prisão dos demais não amenizou as humilhantes goleadas recebidas pelo exercito de Hitler.
Mas parece que depois de mais de sessenta anos, as lições são esquecidas. Não se vê mais o passado para olhar o futuro. E está de volta. Depois do jogo do fim de semana no estádio Beira-rio, um torcedor colorado teve o carro depredado por companheiros só pelo carro ser azul, um ônibus com torcedores do Juventude, foi apedrejado, com o motorista desmaiando logo após receber uma pedrada da cabeça. Eu queria saber destes acéfalos, o que isso mudou no resultado da torcida?
Depois se dá um jeitinho. Temos leis para tudo. Mas só uma funciona. O jeitinho. Poderia acabar com a constituição. Não será necessário gastar verbas de impressão de calhamaços de folhas para leis. Esta é a lei que vale:

Art. 1 -  Quem pode mais, chora menos. Revoguem-se as disposições em contrario.

O mundo é redondo, e dá voltas, assim como a humanidade, que parece estar voltando a era das cavernas, só não moram nelas, pois alguns homo sapiens, já sabem construir casas e prédios, caso algum desmorone, não tem problema, dá-se um jeitinho.
J B Ziegler
Enviado por J B Ziegler em 24/10/2007
Código do texto: T707725
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
J B Ziegler
Gravataí - Rio Grande do Sul - Brasil, 37 anos
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J B Ziegler