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F A N T A S I A



Um trecho da letra de uma marchinha, composta na metade do último século do milênio passado, nos diz: “A história da maçã / é pura fantasia / maçã igual aquela / o papai também comia”. À época, uma jocosa paródia foi cantada dessa forma: “A história da maçã / é pura esperteza / Adão papou a Eva /  e a maçã de sobremesa”.   Nesses parâmetros, de fantasias e espertezas,  a humanidade vê o desenrolar da sua própria história. Em todos os quadrantes do planeta Terra a ladainha é a mesma: espertos fantasiam suas trapaças para que incautos e displicentes vivam dóceis, em  ingênuas e hipotéticas astúcias, sem os molestar. A esperteza nasceu com o manjar do fruto proibido. É claro, a culpa sempre é dos outros. Na fantasia bíblica, a serpente foi a vilã. Na fantasia desta terra descoberta por Cabral, elegemos (sem trocadilhos) as nossas áspides. Afora muitos bons, é de peçonhentos políticos que jorram as lamas que compõem o mar fétido de espertezas. A Eva foi apenas agente. Se submeteu à víbora, é verdade, entretanto, a “esperteza” de Adão nos legou o pecado, representado, para nós, pelas mazelas brasileiras. Contudo, os maus políticos são as novas Evas; são igualmente agentes de ofídios venenosos. Adão foi tentado ou foi ingênuo?  É um círculo. Os peçonhentos corruptores suscitam nossas Evas parlamentares a engambelar-nos. E muitos de nós, Adãos movidos pela “lei de Gerson”, comemos do maldito fruto, que encerra em si a mania de fugir da retidão. É o tal do ‘jeitinho”. Adão não teve forças para recusar. Nós não temos disciplina, educação e cultura para discernir. E as Evas e as cobras da vez se empanturram de pizzas sobradas das CPIs. Portanto, sendo o título Fantasia, coloquemos a nossa folha de parreira, sedutora e almiscarada, e desfilemos na passarela da mediocridade moral que outros fizeram e nós continuamos fazendo do nosso Brasil, até alcançarmos a apoteose, para, enfim, chegarmos na dispersão, batizada por S. João, o Evangelista, de Apocalipse.
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 31/10/2007
Código do texto: T717240
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
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Cláudio Pinto de Sá