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O SEXTO SENTIDO


O SEXTO SENTIDO



“ Caridade é, sobretudo, amizade. Para o faminto é o prato de sopa fraterna. Para o triste é a palavra consoladora. Para o  mau - é a paciência com que nos compete ajudá-lo.”


Sexto sentido é uma palavra nova para quem busca um sentido maior para a vida. Pelos nossos ensinamentos os sentidos são cinco: Audição, tato, paladar, olfato e visão. Desde a formação do embrião os cinco sentidos estão inseridos na vida desse ser que virá ao mundo dentro de nove meses de gestação. Os sentidos são cinco: a audição; a visão; o tato; o paladar e o olfato. Os cinco sentidos já estão em funcionamento no instante em que a criança nasce. Acredita-se que o recém-nascido tenha olfato porque não há dúvida de que ele possui paladar e os dois sentidos estão irremediavelmente ligados. Quando nasce, o bebê vê com clareza e distingue luz e movimento. Os bebês captam vibrações quando ainda no útero e ouvem ao nascer. No útero também reagem ao toque aproximando-se ou afastando-se da placenta e logo ao nascer respondem com prazer a uma pressão suave e cálida em suas costas e barriga. Então o que seria o sexto sentido? Seria o sexto sentido um dom dado por Deus ao homem que podemos denominá-lo de mediunidade? Afirmam alguns estudiosos que sexto sentido e intuição são duas palavras com a mesma sinonímia. Intuição e sexto sentido são quase sinônimos. Pode-se dizer que a intuição faz parte do sexto sentido, que inclui também premonição (capacidade de ver imagens do tempo futuro) ou mesmo à percepção de planos invisíveis ao olhar comum (vidência). Pelo exposto denotamos que existe alguma diferença no que foi citado e direcionado como sexto sentido. Além do mais existe quem afirme ser seu sexto sentido nada mais é que um equipamento padrão do ser humano, como seus olhos, ouvidos, nariz, língua ou pele. Tão mágico ou trivial quanto esses elementos e nem mais nem menos mágico que todos os demais. Seria verdade essa assertiva?
Muitos falam e comenta o filme “O Sexto Sentido”, e aqui indagamos: não seria mais uma obra de ficção? Na sinopse do filme é dito que Como você pode ajudar uma pessoa se não acredita nela?Entre tantas palavras e imagens marcantes de O Sexto Sentido, esta pergunta do garotinho Cole (Haley Joel Osment) ao psiquiatra Malcom (Bruce Willis) é uma das descargas elétricas que mais seguem "zunindo" em meu espírito, após eu ter assistido na manhã deste domingo ao filme. Já o vira ontem, tarde da noite, tentei rever em seguida, mas o cansaço falou mais alto e deixei para hoje o "bis". Mas nada compensaria meu atraso de oito anos (o filme é de 1999). Não assistir a um filme destes é como levar a vida à base dos cinco sentidos e só descobrir tardiamente que essa mesma vida teria sido outra, se tivéssemos nos apercebido de um sexto sentido sempre presente, mas ignorado. Que sentido é esse? Claro que a resposta imediata, para quem assistiu, seria: a percepção extra-sensorial, no caso, a comunicação com o mundo dos mortos. Já essa questão é por demais fascinantes. Sou muito interessado nos achismos, nas charlatanices, nas esperanças, nas pesquisas, em tudo o que liga, sempre ligou e ligará o homem ao sobrenatural. O homem, como diz um personagem de Shakespeare, é "most ignorant of what He' s assured, his glassy essence" (mais ignorante a respeito do que acredita mais conhecer, sua essência de vidro).
Eu diria até que nossa essência é mais frágil ainda que o vidro, pois o vidro simplesmente quebra (e quando quebra pode nos machucar). Enquanto o homem morre, seu fim é algo absolutamente singular, não é idêntico à desaparição inevitável de tudo o que aparece, à decomposição certa que aguarda a tudo o que é composto. E é o espanto com a morte, a perplexidade e mal- estar da morte, que em boa medida nos impulsionam às crenças sobre o (além-vida) inclusive às crenças que negam as crenças. Continua o comentarista: “Mas penso que o excelente filme de M. Night Shyamalan nos reserva outras dimensões interessantíssimas de reflexão. Inclusive sobre o que é este "sexto sentido". E ele me parece insinuado na indagação do menino (aliás, uma das mais fantásticas interpretações infantis-e não-infantis- que já testemunhei). Trata-se do sexto sentido da compaixão. Não falo em termos banais, de uma caridade demagógica e boazinha. Compaixão no (sexto) sentido forte do sentir junto à paixão e o sofrimento do outro (com-paixão). De uma capacidade de se pôr no lugar do outro, e ao menos imaginar (porque nosso lugar nunca é exatamente o do outro) o que esse outro sente ao fazer o que faz e dizer o que diz. E nessa medida "acreditar" nele, apostar nesta verdade outra em que o Outro habita, se move e é. Por mais absurdo e estranho o mundo a que o outro nos quer levar. Por mais que esse mundo novo nos desloque do terreno seguro de nossas convicções, de nossos rótulos, de nossas "crenças" mais sólidas. Isso, evidentemente, não se limita, mas é especialmente indicado, a quem tem a vocação de atuar pela cura alheia. Como Malcom. Esse psiquiatra infantil (Bruce Willis também num trabalho excepcional! ), no filme, tem enorme reputação, é premiado e reconhecido como um nobre filho da cidade de Filadélfia.
Mas cometeu um erro que acabaria sendo fatal para ele próprio: o de se acomodar a um diagnóstico científico, para o qual a dor de outro menino, que conhecera outrora (mas muito parecido com Cole) era um "case" a mais. Malcom se serviu de uma ciência que tenta, do alto de um pretenso saber já adquirido, catalogar, julgar, falar "sobre" a vida, e não dialogar com a vida. E tratar do novo menino –"comunicar-se" com ele, em todos os sentidos- será a chance para Malcom aprender com esse erro passado, "redimir-se" e evoluir (o filme tem evidente afinidade com a doutrina espírita de Allan Kardec).
E é o sexto sentido da compaixão que fará o próprio menino lidar melhor com sua dor, que é fruto na verdade de um dom até então experimentado à revelia, como um fardo, o sexto sentido sobrenatural. Ele aprenderá graças ao que ensinou a Malcom, a "acreditar" naqueles a que deve ajudar-os mortos que o atormentavam. Aprenderá a vencer seu próprio medo ao escutar o que os mortos queriam dele, que tipo de ajuda estava destinado a prestar a eles. Assim se dá, no dia-a-dia, em nossa relação com o inconsciente, o qual é de certa forma o nosso mundo dos "mortos-vivos", que vêm puxar nosso pé debaixo da cama toda noite: sendo prestativo com ele, ele será prestativo conosco, será parceiro e não inimigo mortal. Igualmente a história de Malcom com sua esposa é belíssima, não envolve, tampouco, a expiação de um pecado-as velhas categorias morais. Assim como as categorias científicas engessadas, não dão conta dos dramas da existência-, mas sim uma aprendizagem e evolução pelo que os antigos chamariam de "gnose" (um conhecimento que não se reduz a intelectualismo, a episteme). Que, mais que curiosidade escapista que nos tire deste mundo e nos leve ao além, tenha a coragem de aprendermos mais e mais o sexto sentido que faz de nosso próprio mundo outro, feito, não de concórdia universal (aparentemente impossível). Mas de afeto, companheirismo, aposta em si e no outro, ambiente propício a que a dor de cada um troque a letra final e se transforme em dom para todos. ( Unzuhause). Controvertido o filme, mas na nossa humilde opinião queremos ressaltar o que diz Kardec em seus ensinamentos, que todo homem é possuidor de um corpo sutil semimaterial que ficou conhecido como perispírito. A comunicação entre um encarnado e um desencarnado se dá através desse corpo. Os espíritos se comunicam através do pensamento. Poderíamos dizer que o sexto sentido seria uma mediunidade em desenvolvimento ou já instalada no ser humano, visto que todos as têm, em maior e menor escala. Quem conhece bem as nuanças do corpo bioplasmático estudado por Alessander Assakof, cientista russo e do perispírito por Allan Kardec chegaram com facilidade a conclusão de que se trata de efeitos mediúnicos.


ANTONIO PAIVA RODRIGUES-MEMBRO DA ACI E ACADÊMICO DA ALOMERCE



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Enviado por Paivinhajornalista em 31/10/2007
Código do texto: T717542
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