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SANTINHA DO PAU-ÔCO

       SANTINHA DO PAU-ÔCO
                                          Elizabeth Fonseca

Quando criança, que corria pelos campos e conhecia as matas como a palma dos meus pés, amiga do solo e da relva, me lembro que, às vezes, encontrava alguns esqueletos de velhas árvores, que em sua parte inferior apresentavam uma cavidade oval, oca, e quem sabe ... abrigava algum preá ou alguma serpente. Quando ouvia dizer Santinha do pau-oco, associava a idéia da velha árvore oca, e intuitivamente a idéia de reprovação, belo por fora e sórdido por dentro.

Mas, o motivo desta forte expressão, que desmascara como se estivesse despindo uma pessoa, vem de muito longe. A uma visita que fiz ao museu de Olinda (a cidade mais histórica de Pernambuco), seu nome vem de frase proclamada por Duarte Coelho que, ao admirar beleza tão grande, exclamou :  ‘ Ó linda !’ e Olinda passou a ser. Pois bem, no museu de Olinda tive a oportunidade de conhecê-la. Era uma Santa igual às outras, mas por que Santinha do Pau-ôco ?

Naquela imagem de santa os nossos colonizadores inventaram uma porta camuflada nas costas da santa, que tinha o seu interior todo ôco e alí  colocavam o nosso ouro, com a desculpa que a santa protegeria os viajantes contra algum infortúnio, ela viajava rumo à Europa. Não se sabe quantas viagens a santinha fez, mas ela sempre voltava vazia. A sua imagem virou lenda, dito popular. Hoje, descansa em um museu ... para que saibamos quanto fomos ludibriados. Os culpados ficaram no passado, mas nunca no esquecimento.

Na vida, são tantas imagens perfeitas, carregadas de falso valor, que sabe Deus então perdoá-las.
Elizabeth Fonseca
Enviado por Elizabeth Fonseca em 04/11/2007
Código do texto: T722862
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Sobre a autora
Elizabeth Fonseca
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil
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Elizabeth Fonseca