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AMOR SILENCIOSO

Pedro Henrique foi um dos netos que mais sentiu a morte de seu avô, pois eles eram vizinhos. Era só atravessar uma rua estreita e lá estava o garoto, deitado nas pernas do vovô João, assistindo desenho animado, até pegar no sono.
-Eliane, amanhã é dia de finados e o meu coração não está pedindo para ir ao cemitério, visitar a sepultura do seu pai.
-Não vai, não, mamãe. Ir lá para quê? Só para chorar? Fique em casa, com as lembranças boas que o papai deixou.
No dia seguinte, no ônibus, Luzia escutou dois amigos conversando:
-“Menino”, o Jardim da Paz estava lindo, ontem! Tinha flores para todo lado! Parecia coisa de filme estrangeiro! Você precisava ver!
-É mesmo? Todas as covas estavam enfeitadas?
-Bem... Todas, não. Sempre tem algumas abandonadas, sem uma florzinha sequer. Aquelas que os parentes se esquecem dos seus entes queridos e nunca mais põem os pés lá.
Ao chegar em casa...
-Fernanda, amanhã eu vou comprar umas flores bem bonitas, do jeitinho que seu pai gostava, e nós iremos levá-las ao cemitério.
-Vovó Luzia, desta vez você me leva? Eu não fui no enterro do meu avô, porque mamãe não deixou, mas eu queria tanto ir!
-Amanhã, você vai conosco, Pedro Henrique.
-Minha irmãzinha vai?
-Vai, sim, e o seu pai também.
-Ôba!!! Vou levar a bengala do vovô, que você me deu! Ah, não! Esqueci que o vovô João não precisa mais de bengala! Agora ele anda sozinho, lá no céu, né?
Mas, então, o quê que eu vou levar pro meu avô, hem vovó?
-Nada. Só o seu carinho basta.
O menino foi calado até o campo-santo.
Quando localizaram o jazigo, eles colocaram os dois vasos de flores e rezaram.
Enquanto estavam debaixo de uma árvore, protegendo Ana Carolina do sol escaldante, o garotinho saiu correndo, no meio dos túmulos.
-Uai! Onde será que Pedro Henrique foi, mamãe?
-Não sei! Ele está tão esquisito, hoje!
-Olha lá! Já vem ele todo tortinho, carregando uma coisa pesada!
-É um regador, minha filha! Onde esse menino achou isso, meu Deus?
Sem pronunciar uma só palavra, o neto de João Machado lavou a catacumba, regou os crisântemos e, em seguida, foi todo feliz colocar o regador no lugar, em que o havia retirado.







Anna Célia
Enviado por Anna Célia em 16/11/2005
Código do texto: T72306

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Sobre a autora
Anna Célia
Vitória - Espírito Santo - Brasil, 70 anos
1158 textos (55245 leituras)
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Anna Célia