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Ai que saudades que eu tenho...

Há coisas na vida que a gente não esquece e eu não me esqueço da Rua Araújo Viana localizada no bairro de Santo Cristo no Rio de Janeiro. Lá eu nasci, cresci e me casei.
Ai que saudades que eu tenho daquela rua querida! Era a rua perfeita, principalmente para as crianças, era uma festa! Todos se conheciam e todos se ajudavam. Ela ficava na subida do Morro do Pinto e bem na esquina havia um clube onde nos dias festivos brincávamos a valer. A Araújo não era asfaltada, seus paralelepípedos ficaram na minha lembrança. Era comprida e estreita. As casas do lado direito eram pomposas na minha imaginação. Suas calçadas eram altas e para se chegar a elas tínhamos que subir as escadinhas. As portas eram altas e as janelas também, quando abertas, as cortinas balançavam ao vento como se fossem regidas por uma orquestra. Tudo era excepcional! Algumas casas tinham suas portas nas laterais e olhando víamos um corredor e um rosário de plantas bem cuidadas. Do lado esquerdo as casas eram parecidas, parecia que se dividiam em grupos, umas eram únicas e outras compartilhadas, com dois andares. Eu morava numa dessas. Do lado da minha casa ficava a mais bela da rua, na minha opinião. Ela era diferente. Sua porta era envernizada e suas janelas eram todas envidraçadas. Adorava ficar olhando e me imaginando morando nela. Possuía uma escadas que dava acesso à sala e estas eram de um mármore branquinho que me ofuscava os olhos. Sei disso porque minha colega morava lá e por isso mesmo lá entrei várias vezes. Tudo era lindo!
Mesmo assim, não desmerecia as outras que surgiam do passado com o resquício das casas antigas, como se morássemos numa cidade histórica bem no interior de qualquer cidade do País. Minha imaginação ia longe. No final da rua havia um lugar chamado campinho, onde a garotada gostava de brincar. Lá havia muitas árvores frutíferas e o pé de jamelão era disputado por todos. Hoje não encontro mais o jamelão.
Nos domingos Seu Manoel passava gritando com o cesto de frutas e lá saíamos nós, atrás do Seu Manoel, que era um doce de criatura.
Quantas festas havia naquela rua. Não esqueço do requinte das festas juninas, com tudo que havia direito, igreja, cadeia, quadrilha e outras coisinhas a mais. Gente é de arrepiar, as lembranças dessa rua estão gravadas na minha mente e é como se um filme passasse pela minha cabeça.
Vivi muitos anos lá e posso dizer, hoje, com convicção que fui feliz, muito feliz. Minha infância está enraizada ali , naquele pedaço de chão. Pelo que sei não mudou muito... porém o tempo a transformou, não é a mesma rua, as mesmas pessoas, a mesma festa de outrora. Mas ficou para sempre em meu coração!

Ai que saudades que eu tenho!
daquela rua querida...
que os tempos não trazem mais
Daquela gente bonita, sempre de bem com a vida
Que o tempo deixou pra trás.
Um dia quem sabe eu encontre
Uma rua como aquela
Que no meu pensamento está
Mostrando que a vida é bela
e que todas as lembranças
Me fará amar e amar.
Mas a minha Araújo Viana...
Esta... se eternizará.





Jandira Mendes Coelho
Enviado por Jandira Mendes Coelho em 04/11/2007
Código do texto: T723665

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Sobre a autora
Jandira Mendes Coelho
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Jandira Mendes Coelho