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O Desfile

                                                                                  JANJÃO

O dia 07 de Setembro sempre soou para mim, como uma farsa, um engodo, que as elites deste País, maquiavelicamente introduziram nas consciências populares, como algo verídico e digno de respeito e até veneração.

Não encaro a data, como nenhuma simbologia quanto nossa Independência e Autonomia, deste ou daquele País.

Primeiro que o processo de Independência, foi negociado com Portugal e a grande potência da época a Inglaterra. Nos custou muito dinheiro e dependência de um novo império, o dos lordes da Grã Bretanha. Depois sucessivos impérios, até chegar ao que considero o mais terrível o dos Americanos.

Não sinto este País Independente. Nosso povo, não tem Independência, apesar de nossas inúmeras lutas. Agora o que sempre me entediou, foram os desfiles do dia 07.

Minha relação com este “espetáculo” é datado de 1974, ano de minha primeira experiência como soldadinho da avenida. Isto mesmo, soldado.

Estudava no Trajano Camargo, 5ª serie do antigo ginásio. Nos ensaios, uma professora que agora não lembro seu nome, era nossa instrutora.

Nas primeiras lições, parecia estarmos em um quartel do exército ou marinha ou aeronáutica. Em fila indiana, colocava-mos a mão no ombro do parceiro ou parceira ao lado, para medir a distancia entre um e outro. A fanfarra, tocava marchas marciais e militares. Os passos eram o marcha - volver. Era assim mesmo.

O tema da escola, não tinha nada a ver com nossa realidade, naqueles anos ditatoriais. Diziam respeito a civismo, com verde, amarelo se espalhando nas cores da escola. Os uniformes eram padronizados e a disciplina era tônica.

Parecíamos uns robozinhos, com nossos professores, gritando: “prestem atenção, olhem a fila, marchem direito”. Reinava o ufanismo e o autoritarismo, típico dos militares governantes. Amor a pátria era obediência a ordem estabelecida e esta ordem era simbolizada nos desfiles da “Independência”.

Outro aspecto de relevância, é que nas Capitais e grandes centros, o desfile se concentrava na passagem das forças armadas e seu poderio bélico. A ditadura adorava, fazer exposição de armas, bombas e veículos de guerra. Para os Generais, estávamos constantemente em guerra e o desfile “cívico” era o melhor momento para esta exibição de força e porque não truculência. E olha que tinha gente que adorava, assistir pela TV.

Não tinha e não tem, nenhuma graça estes festejos. Não via e não vejo no povo que as ruas sai para assistir nenhuma empolgação , como há no carnaval.

Em outros Países, as paradas cívicas, não são estes “civismos” obedientes que a ditadura criou e que resiste até hoje.

O 4º de Julho, o mais famoso dos dias de Independência é literalmente pura festa.

Na fase adulta, minha última experiência com os desfiles, foi quando servia o Tiro de Guerra, pior fase de minha vida. Parei com os desfiles. Só retornei a avenida na proposta do Grito dos Excluídos.

Festa de militar, o 7 de setembro propunha criar mentes e corações fincados nas casernas e nos quartéis.
dialetico
Enviado por dialetico em 05/11/2007
Código do texto: T724353
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Sobre o autor
dialetico
Limeira - São Paulo - Brasil, 55 anos
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