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imagem Mirò

Onde anda o meu sorriso?

Rosa Pena

 

 

Não sei precisar o dia em que tudo começou a parecer déjà vu, mas sem as cores vivas da aquarela de Mirò. Passei a ver meio desbotado. Maria Rita eu já vi, é quase a Elis, mas sem o vermelho da paixão. Não é pimenta original, apenas genérica.


A estrela Dalva não mais brilhou no céu, nem a pioneira, nem a Oliveira. O Golden Room do Copacabana Palace ficou chapeado e quebra os critérios com alguma Tati ou quem estiver no hit-parade, um alguém tão parecido com outro, que eu juro que já vi.

 

 A Plataforma apresenta as brancas de algum Sargentelli não aprovado pelo Inmetro e tenho certeza que o Di Cavalcanti ficaria possesso. Algumas gostosas pretendentes ao BBB, que eu juro que já vi dentro e fora da TV.
Onde será que a morena d' angola e a Severina chique-chique de agora fazem escovas progressivas?
 Saudades da nega do cabelo duro, essa eu nunca mais vi.


A feira de São Cristóvão passou a tocar funk feito por um alemão que não ganhava um puto de um euro, agora ganha espaço até no Jô Soares e os pagodeiros, cujos pagodes inéditos eu já ouvi em algum lugar no passado e ouvirei muitas vezes no futuro, que usam e abusam da água oxigenada, feita pro leite, nos cabelos. Qualquer hora a Loreal vai comprar a Parmalat. Nata com blondor eu nunca vi, mas a punição em formato redondo e em forno a lenha, eu já vi sim e muitas vezes.

 

Não sei precisar a hora em que meu sofá tão bonito ficou com o jeito de vencido, tanto quanto eu, que a cortina do meu quarto assumiu o perfil da velha casa de meus pais na data em que foi vendida, cheirando a mofo e carcomida. Também quem me mandou não comprar as persianas luxaflex aquela que impede ácaros, meus pais dormiram com aracnídeos, mas sem dalmadorm; que os sapatos do Mr Cat ficaram com a cara de Di Santinni que tem a cara de qualquer pisante que já vi,  eu adoro sapatos masculinos -Que pena!- que o coco não se abre mais com facão- quanta carrocinha de Fast coco- bem higiênicas e a água com gosto de soro; que o ponto de táxi não é mais parágrafo, pois o espaço é da Van: dois pontos a cada cem metros; que a nossa fome passou a ser medida a quilo. Estou com uma fome de 400 gramas! Mas pão a metro eu já vi e vejo há um tempão. É moda. Por que não criam bom senso em litro?


Não sei precisar o minuto em que meu grito de paz foi substituído pela vontade que o filme Tropa de Elite ganhasse o Oscar e que não mais chorei por passarinhos presos em gaiolas. Será que agora cavalo-marinho já nasce no Jockey Club?


Mas eu queria realmente descobrir o exato segundo em que perdi o encantamento do meu olhar.

Acho que foi no dia em que não votei pro Cristo Redentor ser uma das sete novas maravilhas do mundo. Nunca consegui achar ele lindo e não gosto de concurso ou eleição. Tem jeito de roubalheira. Quantas eu já não vi!? E afinal, a verdadeira maravilha do mundo não deveria ser o sol nosso de cada dia sem envelhecer? Danado esse meu calcanhar que teima em girar pro passado para que eu reveja em tecnicolor minha esperança verde rugido.


Onde anda o meu sorriso? Juro que déjà vu.

Rosa Pena
Enviado por Rosa Pena em 05/11/2007
Reeditado em 12/04/2011
Código do texto: T724735
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Rosa Pena
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