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Fome transgênica

A fumaça nebulosa toma rumo ao céu que já foi dos deuses, os fornos exibem suas labaredas cozinhando o aço que fez a lamina da faca que corta o alimento.
O aço que faz as grades que aprisiona o corpo de coração de aço. Mas a miséria não é incólume como o aço, mas, é mais durável que ele.
e a faca que corta o alimento? Que alimento?
A boca vazia não quer mais falar... Exibir seu timbre, diagnosticar a falta do que faz falta.
O alimento transgênico fruto ecumênico do desejo humano.
A terra fértil que brota o cérebro fertilizado, imantado de cupidez como o repolho estragado atirado ao lixo no final da feira.
E o aço das algemas... que prende as mãos e paralisa a vontade, mas para que vontade ?
Coisa imprópria para os dias de hoje. Inato, inapto.
O bom é que os nervos são de aço, suporta chuva, sol, enchentes, desaforos, imposição, dor, fome...
E a faca que corta o alimento? Que alimento?
Os carros blindados dos delegados, forjado pelo mesmo aço que é feito o prato vazio dos renegados, abnegados, negada a sentarem na mesma mesa e participarem da “Santa Ceia”.
O desumano em ser humano é privar-se da atitude, e ergue-se da faca de lamina de aço e cortar em pedaços, o fruto, o alimento e distribuir as fatias em partes iguais, mas nem os continentes tem contingentes iguais.
A fome é “transgênica” aliada ao “acaso” do descaso, um gene alterado, um vírus acelerado que só afeta os descalços.
Estacam-se as bandeiras novos territórios demarcados a luta demográfica por um espaço no espaço, nova marca etiquetada, situações adversas da adversidade humana, mais um povo, mais um governo, mas a miséria ainda é a mesma.
O parto da desigualdade no ventre da terra, a mesma que molda e enterra a distinção imposta da tão “singela” raça humana.
E a faca que corta o alimento? Que alimento?
Estão nos super, mega, hipermercados prateleiras cheias, guloseimas, enlatados, fatiados, congelados, queijo suíço, pizza da calábria, pescado norueguês, maçãs argentinas, run cubano, e a fome pertence a qual nacionalidade?
O ferro que sai do minério é o mesmo usado para marcar o cavalo de raça, que marca as raças, uma a uma.
E os deuses que já tiveram céu, passam fome?
O sumo do consumo no supra sumo do capitalismo sem idealismo, sem realismo, mas recheado de modismos sofisticados mais inexistentes para o passar dos dias atuais.
O feto que já nasce sem afeto, imposto, comandado, subjugado, cria do advento da carne.
Um ser errante, porém andante, um peregrino de tudo que é divino, fonte de um tal destino.
E a faca que corta o alimento? Que alimento?
O cheiro que vem da esquina entranha na narina, hoje o cardápio é a mesma sina, a vida ensina, miséria ao molho de carência, com porções de sofrimentos, com guisado de descrença, e para sobremesa uma tigela bem funda de lamento.
E com a faca de lamina de aço em punho, corto o bucho do consumo, abro uma brecha de tamanho fecundo, e vejo cair dentro do abismo profundo, as criaturas desse tal mundo.

Rommyr Fonttoura
Enviado por Rommyr Fonttoura em 06/11/2007
Reeditado em 07/11/2007
Código do texto: T725528
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Rommyr Fonttoura
Mariana - Minas Gerais - Brasil
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Rommyr Fonttoura