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A cantada que deu certo

     (Crônica extraida do meu livro "Memórias de um paciente impaciente)

Tomei o assento na janela do avião com destino à Cuiabá. Ao meu lado, sentou-se outro “avião” de cair o queixo. Era uma morena típica mato-grossense, um verdadeiro colírio para os olhos. Dei uma olhada de relance para o seu rosto; disfarçadamente, fui descendo e admirando aqueles mamilos salientes e firmes, com boa parte à mostra até chegar no traseiro, que cobria quase todo o assento. Ela me fez recordar a famosa atriz Doroth Lamour. Cabelos negros, compridos e de uma beleza estonteante. Nem acreditei na sorte de ter perto de mim uma escultura daquelas. Isso não era sempre que acontecia. Às vezes sentava a meu lado, cada “trambolho” que dava até vontade de viajar de pé.

 O avião não estava lotado e existiam alguns lugares vagos, mas sorte é sorte, não se discute,  aceite-a com a simplicidade que Deus deu.

Com toda amabilidade lhe ofereci o meu lugar, que foi aceito por ela sem a menor cerimônia. Enquanto mudava de lugar, ela ia dizendo que gostava mesmo era de viajar na janela para apreciar e admirar as paisagens. Logo pensei: “não existe paisagem mais bela do que essa que está do meu lado”...

Dei início aos primeiros passos para uma amizade mais descontraída e conseqüentemente, quem sabe, uma boa cantada.

Passou algum tempo em que fiquei totalmente mudo porém, com a cabeça funcionando a todo vapor, pensando como iniciaria a cantada. Em rápido raciocínio, pensava como iria conduzir a conversa até chegar no ponto estratégico, não podia falhar. Dizem que nenhuma mulher resiste uma boa cantada, mas tem que ser bem feita para não espantar a caça.

O Avião fazia escalas em Campo Grande, Aquidauana, Corumbá até o final da rota que era Cuiabá.

Iniciei a conversa com a minha companheira de assento, com a praxe de sempre, aquela que todos usam.

_Qual é o seu nome?
_ Margareth. Margareth com th.
_Nome bonito, me faz lembrar a Princesa Margareth da Inglaterra, com a diferença que você é muito bonita, ela uma feiosa. Lisonjeada pelo comentário, notei que ela havia gostado.
_E você, como se chama? Perguntou ensaiando um pequeno sorriso.
_Meu nome não é tão bonito como o seu, me chamo Felício, Mas os amigos me chamam de “Feliz”, que em parte têm razão, porque para mim só o fato de estar sentado a seu lado, já é de  extrema felicidade.
_Nem tanto. Respondeu ela meio sem jeito.
_Para onde vai? Perguntei.
_Corumbá. Falou com um sorriso nos lábios. Na casa de uma tia.
_Que estranha coincidência, também vou descer em Corumbá. Mal sabia ela que eu estava mudando o itinerário propositalmente, devido as minhas intenções com a moça,  pois o meu destino era Cuiabá.
   
Procurei habilmente, conversar com ela, demonstrando interesse na amizade,  deixando-a a`vontade para falar. Após algum tempo, conduzi a conversa para onde eu maldosamente queria, para um terreno bem preparado para uma boa cantada. Não podia falhar. De repente eu falei com a mais perfeita naturalidade.

_Já que você vai para Corumbá e eu também, devo ficar por lá alguns dias, quem sabe poderíamos nos encontrar á noite, para ir ao cinema, bater um bom papo e tomar uns “drinks”. Falei, abertamente sem rodeios.
_Não dá, porque eu vou ficar na casa de minha tia e ela só me deixa sair, acompanhada com minha prima.
Que diabo, tive que apelar para um raciocínio rápido. Súbito veio à minha mente uma jogada para o tudo ou nada, perguntei:
_A sua tia vai esperá-la no Aeroporto?
_Não, ela só me espera amanhã ou depois, é uma surpresa que vou lhe fazer.
Eu não esperava essa resposta, pensei que teria de me desdobrar para conseguir um encontro e assim me deu chance para eu jogar a última cartada.
_Sendo assim, você não importaria de adiar a sua chegada, ao invés de ir para a casa da sua tia hoje, poderíamos descer em Campo Grande. Daí, pegaríamos um Hotel para descansar e à noite poderíamos sair, conhecer a cidade, tomar uns drinks e jantar... Seria um ótimo programa e uma boa oportunidade para nos conhecermos melhor, não acha? Amanhã eu compraria passagem para Corumbá e, no horário previsto da chegada do avião, você pegaria um táxi até à casa da sua tia; assim, ela de nada ficaria sabendo. Contudo, a sua chegada ainda seria uma boa surpresa... Depois de jogar a última cartada, fiquei aguardando. Mas o meu  coração  disparou batendo loucamente.

Enquanto esperava ansiosamente a sua decisão, meu peito continuava ofegando incessantemente. Depois dela ficar pensativa por um breve tempo,  virou a cabeça para o meu lado, com um belo sorriso como resposta. Como eu não era nenhum novato no assunto, entendi  que era um sim.
Eu não demonstrava, mas por dentro de mim havia um sorriso de triunfo.

Continuamos a conversa como bons amigos, procurando sempre não demonstrar muito interesse no futuro programa. Nada de espantar a caça tão preciosa.
Ao chegarmos no balcão da portaria do Hotel, cumprimentei o gerente o qual já era meu conhecido de outras viagens. Bastou uma leve piscadela para ele entender e me respondeu:
_Só nos resta uma suíte de casal, serve? Falou olhando para mim e para ela.
_Dei uma olhada maldosa para a moça e ela me respondeu com um virar de ombros.
Entendi a sua resposta e respirei aliviado.
Em Campo Grande, depois de seguir todos os programas antecipadamente, planificados, com drinks e jantar num Restaurante da cidade, voltamos para  o Hotel ainda bem cedo. Eu havia sugerido à Margareth que não devíamos voltar tarde porque precisávamos “descansar”.
 Dormir? Como há de?




 

                           
Luiz Pádua
Enviado por Luiz Pádua em 07/11/2007
Reeditado em 10/11/2007
Código do texto: T726728
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Sobre o autor
Luiz Pádua
Sorocaba - São Paulo - Brasil
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Luiz Pádua