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Pequenos Prazeres

Desde pequeno ele se contentava com pouco. Não que ele não tivesse ambição, mas o que ele gostava mesmo, era dos pequenos prazeres da vida. Para Tadeu, era muito mais prazeroso entrar no fim do jogo e dar o passe para um gol, do que jogar o jogo inteiro e ser o artilheiro do time. A sensação de dever cumprido, para ele, era o que importava.

Certa vez, Tadeu queria porque queria ganhar na loteria esportiva. Ele jogava toda semana. Até que, num domingo a noite, assistindo os gols da rodada e conferindo os resultados do seu bilhete, ele percebeu que tinha acertado todos os jogos. Tinha finalmente ganhado na loteria esportiva. Mas no dia seguinte, quando ele foi até a lotérica retirar o seu prêmio, descobriu que mais 4762 apostadores tinham acertado todos os resultados e dividiriam o prêmio. No fim das contas, cada um recebeu a módica quantia de R$38,16. Mas Tadeu não se abateu. Pelo contrário, ele estava feliz da vida com essa vitória.

E Tadeu ia vivendo sua vida assim, sempre se contentando com pouco. Até que um dia, num bar, ele olhou para o lado e se interessou por uma bela mulher. Tadeu começou a jogar todo seu charme para ela, até que recebeu uma piscada de volta. Ele estava satisfeito. Ela, intrigada, foi até sua mesa tirar satisfações. Desde então eles se apaixonaram e resolveram se casar.

Fabiana era uma moça muito diferente de Tadeu. Decidida e com uma enorme vontade de curtir a vida, ela fazia de tudo para mudar esse jeito de ser do seu amado. Mas com o passar do tempo e a constatação de que Tadeu era um conformado incorrigível, a relação dos dois foi esfriando. Na hora do sexo, por exemplo, sempre que as coisas começavam a esquentar Tadeu, já satisfeito, virava para o lado e dormia.

Até que, motivada pela falta de comparecimento do marido, Fabiana resolveu arrumar um amante. Indignada com a situação, ela começou a se engraçar com Roberto, o melhor amigo de Tadeu.

Com o passar do tempo, Tadeu começou a suspeitar de sua mulher e descobriu que sobre sua cabeça havia crescido um belo par de chifres. E pior, o amante de sua mulher era justamente o seu melhor amigo. Ele estava decidido a se vingar.

Certa noite, ele pegou uma faca e saiu atrás do safado que o passara para trás. Quando finalmente conseguiu pegar Roberto, Tadeu o amarrou, envolveu sua boca com um pano e tampou seus olhos. Estava tudo pronto para uma morte sangrenta e aterrorizante. Mas ao invés de enfiar a faca no peito de seu amigo farsante e acabar para sempre com aquele sofrimento, ele cortou apenas o dedinho da mão direita de Roberto. Tadeu estava vingado.
Ricardo Polinesio
Enviado por Ricardo Polinesio em 07/11/2007
Código do texto: T727044

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Sobre o autor
Ricardo Polinesio
São Paulo - São Paulo - Brasil, 37 anos
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Ricardo Polinesio