Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Uma criança peste

Uma criança peste
Ás crianças de hoje são terríveis! É o que sempre ouço falar, mas será que são terríveis no sentido de arteiras ou de atinadas? Pode ser que elas sejam mais respondonas, interagem de igual para igual nos assuntos dos adultos, não aceitam um não sem perguntar o porquê, escolhem suas roupas, sabem acessar a internet muito melhor do que muitos adultos, talvez você dissesse no sentido de malcriadas mesmo, por que afinal de contas a gente acaba perdendo a paciência com tanta participação assim por parte delas na nossa vida de “adultos”. Em matéria de arte, basta você puxar pela memória e vai ver que nós e até mesmo os nossos pais é que sabiam fazer umas boas artes, não é?
Eu mesma posso citar no mínimo umas dez artes, e bem armadas é claro, daquelas de deixar minha mãe de cabelos em pé. Vou contar uma para vocês, vou escolher uma menos maldosa, porque quando eu fazia arte pegava pesado, tenho dois irmãos, uma menina e um menino, diferença de quatro anos de idade, a irmã apenas quatro anos mais nova então quem sofria era o mais novo coitado, ele diz hoje que é traumatizado em função de nossas brincadeirinhas, pobrezinho... Deixa-me lembrar...
Bem, morávamos no interior, gente isso quase trinta anos atrás! Uma casa simples de madeira, tinha água que vinha do poço artesiano, não tinha encanamento de esgoto para pia da cozinha e também para o banheiro, tudo que ia fora, não saia bonitinho em um cano e sumia de nossos vistas como é agora, peraí! Não vai pensando que ficava pelo pátio não, eu falei uma casa simples e não um chiqueirinho usávamos uma fossa como todas as famílias da região. Porém, esta fossa em questão precisava de uma manutenção urgente, pois as tábuas que cobriam ela,estavam ficando podres, meu pai por questão de segurança colocou umas folhas de zinco a fim de evitar que seus filhinhos saudáveis e arteiros não caíssem lá dentro enquanto estivessem brincando pelo quintal. Eu e minha irmã num arroubo de imaginação fértil resolvemos brincar de armadilha, tipo assim, éramos duas espiãs e precisávamos nos livrar de um perigoso assassino que nos perseguia, este era meu irmão, na verdade ele estava sempre nos perseguindo tudo que fazíamos ele queria tomar parte, vivíamos inventando maneiraras de afugenta-lo, não queríamos o pirralhinho na nossa cola, então aproveitamos que ele havia se entretido com seus carrinhos na cozinha com minha mãe e tiramos as folhas de zinco. No lugar dela espalhamos bastante grama, ficou perfeito, praticamente igual a uma floresta que havíamos visto num filme, e começamos a brincadeira de corre corre, passávamos varias vezes pela porta gritando , e se empurrando, meu irmão achou que estava muito mais divertido brincar lá fora , pois qual criança que não gosta de tomar parte de uma bela brincadeira de empurra empurra, explicamos para ele então como era a brincadeira, e justamente estava faltando o perigoso assassino, ele prontamente escolheu ser este personagem, então nos posicionamos atrás da fossa e o instigamos a atravessa-la, e no momento em que ele pisou sobre as folhas ficou pendurado, ou melhor entalado, meio corpo para fora das madeiras e metade inferior, imersa na fossa, ele chorava e esperneava como doido, minha mãe correu porta a fora bem a tempo de salvar seu caçula de um banho de imersão, na melhor das hipóteses é claro, porque ele poderia ter se afogado, não tínhamos idéia do perigo que ele correu, depois de levar uma merecida coça, daquelas de criar bicho,é que ficamos sabendo que o nosso pequeno fosso era muito profundo, e as conseqüências de nossa “brincadeirinha” poderia ter sido muito, mas muito desastrosa.
Então às vezes fico pensando, o que é uma pequena arte do meu filho, tipo riscar uma parede, quebrar duas torneiras e estourar umas cinco lâmpadas com sua bola de futebol, não é nada comparada às maluquices que eu aprontava em minha infância. Será que eu realmente era uma peste ou meu garotinho é um anjo? Prefiro pensar que ele é um anjo, até porque se eu não fosse uma peste, não teria causos para contar... E olha que esse não é nada comparado a muitos outros que eu e minha irmã aprontávamos. Aos poucos vocês tomarão conhecimento de outras diabruras de minha infância e poderão tirar suas conclusões...
Bom, até mais... Eu fico por aqui... Neste sábado cinzento, só pensando na vida. Beijos




Simone Mottola
Enviado por Simone Mottola em 07/11/2007
Código do texto: T727255

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Simone Mottola
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 47 anos
193 textos (20992 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 16/08/17 21:32)
Simone Mottola