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A tecnologia a serviço da destruição

           As crianças presas entre quatro paredes, olhos atentos, pulsos fortes e sem nenhuma piedade. Manipulam para ambos os lados a manete do vídeo game; tiros, socos, pontapés, bombas, mísseis, sangue em 3D escorre pela tela da máquina. Assim começa a tecnologia a serviço da destruição.
           Lá fora, distante das quatro paredes a vida se recompõe; mortos que dão lugar aos vivos e vivos que dão lugar aos mortos. Todos fazem parte desse ciclo, uma transformação estocástica um sinal dos tempos a tempos.
O planeta com seu cinturão de fivela dourada com duas armas na bainha, como no velho oeste. Os fortes demarcam o terreno expansivo e soberbo, os fracos armam suas tendas, suas ocas e faz dali mesmo seu território.
 As facções das chamadas ações, um bando querendo ocupar a terra dos desocupados, soldados aliados da aristocracia, dos senhores da supremacia, comandantes do mesmo mal que circunda de um extremo ao outro o desejo, o anseio de enterrar no ventre da terra somente uma bandeira, como um guerreiro medieval que enterra uma espada na garganta do oponente.
         A evolução dos meios de vida, a hierarquia da tecnologia; Feto-criança-adulto-máquina.  Novos “meios de produção” na tela da nação, as crianças já não querem mais saber de serem mocinhos levantando a barra da camisa e mostrando a automática na cintura. Trocaram o lápis e a borracha por armas e munições, é o fruto do meio, a redoma que cerca as possibilidades, o poder de criação, as teorias que já vem descrita nos rótulos dos potes das industrias da imposição, das fábricas que fabricam os vassalos, os que sobrevivem das cascas dos frutos dos soberanos, a separação do joio do trigo.
           “A viva voz” dos aflitos dentro do caldeirão, “da panela do diabo” como dizia Raulzito e Marcelo nova. A corrida do tempo de pernas longas alcançando o “topo do mundo” e a cada ação uma reação: um furo no solo um rombo na cabeça, um fogo na mata um cérebro esturricado, uma arvore caída, um caixão de madeira nobre, um rio imundo uma mente poluída, um animal irracional extinto e outro racional sem instinto, emissão de gases poluentes a dança da chuva dos índios emergentes, enquanto o globo se aquece as crianças passam frio, em pauta a temática transgênica em voga a fome ecumênica.
            O quintal do mundo tem área de lazer para os cientistas brincarem, “tem de tudo é um sucesso” como dizia Jorge Benjor. A riqueza dos recursos na pobreza dos discursos, um vasto território jogado ao acaso, um enorme pasto pisoteado de descaso.
             E a reunião do “parlamento”, um lamento reuniões em pról de seus próprios rendimentos, uma rede de riquezas que cai na rede do sistema. E no intimo, no interior de cada governante, assessores, mosqueteiros ou sei lá o que... a “sensação de dever cumprido”  e no exterior as contas aumentam as cifras, e os algarismos se modificam constantemente.
              O “Rei” ergue o punho num sinal de cominação, os súditos abaixam a cabeça num sinal de consentimento. A briga pelo direito de viver custa caro, se você não esta no mercado, produzindo, acaba se tornando o próprio produto negociado a preço de banana no mercado do “meio”...  Se isso é sobrevivência prefiro imaginar como seria a morte...
Rommyr Fonttoura
Enviado por Rommyr Fonttoura em 07/11/2007
Código do texto: T727276
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Sobre o autor
Rommyr Fonttoura
Mariana - Minas Gerais - Brasil
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Rommyr Fonttoura