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   Jair , à esquerda com o insubstituivel  Eduardo, o Tuca.
    
          O Sétimo dia
     Sexto dia, seis horas da tarde. O arquiteto estava  cansado. Tambem pudera! Foram seis dias de muito trabalho. Sabem lá o que é construir uma bola autônoma, com mais de oitenta por cento de água, sem tampa, soltar no espaço e providenciar para que não caia uma só gota ? Sem contar que dali a pouco viriam seus habitantes, que girariam colados ao solo sem despencar no Universo. Por certo que a Terra seria sua unica experiencia. Nao teria saco para repetir tudo em outro planeta. Bem, mas antes de descansar ........
Ele era preciosista, tinha a mania da perfeição.Escolheu um canto do planeta onde pudesse ter o que definiu como as estações, as quatro num unico lugar. Foi assim que colocou a ponta da pena no que viria a ser o Ceará. Caprichou nos contornos, na cor da água, na temperatura da mesma, engravidou a fauna marinha com variedade enorme de animais. E à medida que  desenhava, se inspirava,se maravilhava, se achava o máximo. E assim veio desenhando o litoral brasileiro. "yess !" Dizia a cada final de trecho, sem modestia..............
Foi fundo na Geografia. Superou-se em detalhes fantasticos. Morros, praias , serras...."Nossa, que maravilha! Alguem haverá de chamar isto de Cidade maravilhosa" - pensou vaidoso. Mas e o zumbido. teria vindo deste ou daquele morro ? Deus teve o primeiro sobressalto. Tomaria uma providencia.Colocaria a imagem do seu filho, quando o fizesse nascer, em cima de um morro com os braços bem, abertos para que valorizassem a vida e providenciaria uma grande festa popular, a maior do mundo para alegrar a comunidade ............
Já não conseguia segurar as pálpebras. Quando saiu de Torres, cujo nome  sabe-se lá porque,adormeceu profundamente e fez a primeira santa lambança. Derramou um pote de tinta marron na água, escorregou a pena fazendo uma linha reta e foi ate o fim do mapa.  Pensou voltar mas só conseguiu trazer um pouco de gelo da Patagonia.Aquelas ultimas praias tinham ficado uma porcaria e por descuido só sobrara tinta verde......
Pegou o saldo de tinta e derramou sobre o pampa e decretou que por ali não faltaria água para que o tom não esmorecesse. Precisava alguem de confiança. Um capataz.  Alguem fiel mesmo que uma ou outra vez o negasse e o chamaria de Pedro. Deus resolveu entregar-se ao sono ali mesmo pouco se lixando se algum dia o chamassem de brasileiro, e que não se importaria se vez por outra o apanhassem chamando alguem de tchê.

Jair Portela, meu amigo e autor imcomparavel  que o Brasil precisa conhecer.
" Castelo de Guardanapos "Laboratório do Livro"  pag 43

Fulgencio
Enviado por Fulgencio em 07/11/2007
Reeditado em 10/11/2007
Código do texto: T727813

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Sobre o autor
Fulgencio
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 78 anos
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