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AS PREFERÊNCIAS DO BRASILEIRO

       
                          Ninguém duvida que o brasileiro goste de mulher (pelo menos, uma boa parte), de carro e de futebol. A mulher pode ser feia, o carro pode ser velho e o time ter sido rebaixado para a segunda divisão. Entretanto, tem status quem possui, pelo menos, um destes três itens. É uma questão de  prestígio e de necessidade vital.

                           É um tanto quanto complicado o homem viver sozinho, principalmente, em dias de frio... Nada como chegar do trabalho e sentir o cheiro da comida caseira, ter alguém para conversar, namorar, compartilhar os bons e maus momentos. É verdade que, quem tem esposa, precisa ser mais organizado, ou seja, deixar tudo (ou quase) no seu devido lugar. As mulheres gostam das janelas fechadas, não suportam o frio, ao contrário dos homens. Elas preferem “torrar” ao sol a nos acompanhar em nossos gelados banhos de mar. Entretanto, as vantagens, sem dúvida, compensam, até lavar uma pia cheia de louça acaba sendo algo divertido.

                           A cama de casal e mesa da sala de jantar se tornam grandes demais para um homem solitário. As noites de insônia e  depressão aumentam. Os homens são, confessadamente, dependentes das mulheres.

                           Quanto ao automóvel é um artigo necessário, principalmente quando é dia de rancho no supermercado. Levantamento de peso, só se for pago e na academia.  Mas, o carro é bacana tê-lo, com ou sem air-bag duplo e direção hidráulica ou vidros elétricos sempre podemos negociar. O fundamental mesmo é que  tenha quatro rodas, ande e o motor não ronque demais. Afinal, não é bom chamar tanto a atenção da vizinhança e dos colegas de trabalho.

                          A verdade é que, com a utilização do carro, estamos desaprendendo a caminhar e nossos tênis têm ficado cada vez mais novos, pela falta de uso.

                           E  o time de futebol? Bem... não conheço brasileiro que não o tenha. Claro que não precisa ser fanático, do tipo que coleciona álbuns de figurinhas e acompanha a vida (e os amores) dos jogadores, como se fossem ídolos imortais. Entretanto, o cara tem que ter um time, nem que seja diferente do da mulher, dos filhos ou do resto da família. O torcedor vibra com o jogo, se decepciona, xinga o técnico e provoca o amigo, fanático torcedor do time adversário. Divergências à parte, quando  Brasil entra em campo, gremistas e colorados entram em consenso em prol da nossa seleção.

                           Claro que tem o sujeito que vive sem mulher, sem  carro e talvez tenha até alguém sem time de futebol definido. É um tipo meio alienígena, uma espécie em extinção, quase um E.T, mas cada um com suas opções...

                          O homem que mora sozinho ou vive junto com um cão de estimação, geralmente é um devorador de livros. Uma pessoa que conhece muitos sites da internet, marcas de ração e assiste a quase todos os programas noturnos de televisão. Com certeza, viver sozinho implica em economizar em mantimentos e abusar dos congelados. Não será necessário assar churrasco aos domingos e nem colocar tolha na mesa da sala.

                         A solidão é uma opção, mas é certo que a plena liberdade também tem seu preço.

                         Bem, aquele que não tem automóvel, com certeza, será mais esbelto do que os motorizados. Caminha mais e é mais bronzeado. Gosta da  natureza e do por- do- sol. Este não precisa se preocupar com multas de trânsito, gastar com gasolina, não se estressa ao estacionar, tampouco com pagamento do IPVA. Mas, na hora da chuva, de pegar o ônibus ou de pagar o taxista, sente a pior das dores- a do bolso.

                            Quanto ao sujeito que não tem e nem torce por algum time de futebol, sem dúvida, é um sujeito “zen”. Trata-se de um homem tranqüilo. Alienado. Ele não é escravo da TV aos domingos. Não  é patriota, tampouco sofre quando o time perde, mas também não sabe e nem sente o que é ser pentacampeão. Ele terá pouco assunto para conversar, e é aconselhável que goste de formula um, vôlei ou seja um expert em assuntos políticos ou religiosos, sob pena de viver isolado do mundo dos mortais.

                           O certo é que o brasileiro, tal como o italiano, gosta de uma boa massa, de música - do clássico ao funk – e não dispensa um almoço dominical com a família. Palavra que fala por si só.

                           Ninguém duvida que quem não tem uma família está louco para conquistá-la. E por quê? Justamente para ter com quem dividir a vida, passear de carro nos finais de semana e também para poder comer pipoca e comentar sobre o jogo da seleção ou  quem matou quem na novela das oito.

                          Mulher, carro e futebol. E a matemática da vida dá uma volta de 360 graus e voltamos ao ponto zero... Alguém duvida?


                                                                 

                   

                     
pássaro poeta
Enviado por pássaro poeta em 08/11/2007
Código do texto: T729242

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Sobre o autor
pássaro poeta
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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