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MUITA REZA E POUCA AÇÃO

MUITA REZA E POUCA AÇÃO
(Retrocesso antropológico eclesial)

O conceito atual de ser humano, principalmente na América Latina, onde alguns políticos querem chamá-la de “pátria grande”,  não está sendo configurado pelos debates nascidos dentro das universidades, nem pelo continuo descobrimento da arqueologia, mas na luta histórica em busca da liberdade no continente. Embora já foi mais ousada no passado, mas ainda há sinais de sonhos de libertação por partes de ongs e entidades filantrópicas e sociológicas independentes.
A Igreja Católica já foi uma grande sonhadora da libertação do ser humano integral na América Latina. Mas os grandes sonhadores envelheceram e a velha cúpula romana com sua tradicional capacidade de frear as novidades que surgem a partir da realidade dos povos, principalmente quando questionada sobre o seu Karisma e seu poder, mais uma vez conseguiu direcionar todos os olhares do continente da esperança para a estrela vaticana européia.
Houve  Medellín e Puebla, depois Santo Domingo e Aparecida. Se tudo desse certo do jeito que os dois primeiros sonhos sonharam, nosso continente seria bem diferente. Pelo menos no que se trata de fé católica, com certeza.
Mas, como o bom empresário escolhe a dedo os administradores dos patrimônios que ele tem, em longo prazo, todos os administradores que pensam diferente dele, sairão de cena e outros com os mesmos óculos do imperador entrarão para dar continuidade à filosofia central de ser e de estar do império.
Assim, acabamos realizando mais um CELAM, para dizer que as coisas vão mudar para ficar como estão. Uma instituição que começou avançar no social do jeito do povo e depois prosseguiu do jeito de lá. Muitos clérigmas, muitas batinas, muitas orientações intimistas, muitos milagres, muitos sinais extraordinários, muita moral para os outros e aquele jeito social de viver a fé dos anos oitenta ficou para trás. Saudades de Helder Câmara, Ivo e Aloísio Loscheider, Paulo Arns, Pedro Casaldáliga, Luciano Mendes e tantos outros que estavam à frente dessa instituição confiável e lutavam de braços abertos pela libertação de nossa gente.
Hoje, parece que há mais caridade individual ou de grupos individualizados, socorrendo pessoas pobres e miseráveis, muitas casas de filosofia paternalista com pessoas a frente que tem grande capacidade, mas precisam de mitrados participando da cúpula com a cabeça na base.
E cada vez mais há homens rezadores e impecáveis liturgos sendo mitrados. Isso não é bom! Precisamos de mitrados que sejam capazes de botar uma camiseta pólo, um sandalhão nos pés e se quiserem uma cruzinha de madeira no peito. Pois com certeza dentro desse mesmo peito, haverá um coração misericordioso e profético, capaz de revolucionar muita gente e incomodar poderosos e gananciosos por mais poder por ai. Pastores itinerantes, com coragem de ir e organizar junto com seus colaboradores, comunidades vivas e capazes de lutar pela libertação e pela justiça social e real. Está havendo reza e roupa de mais e pastoral de qualidade social de menos.
É isso!

Fonte: Antropologia da Libertação Latino Americana – Alberto Vivar Flores
Acácio
Acácio Nunes
Enviado por Acácio Nunes em 12/11/2007
Código do texto: T734012
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Sobre o autor
Acácio Nunes
Pouso Alegre - Minas Gerais - Brasil, 57 anos
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Acácio Nunes