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O AMOR E SUAS MÁS COMPANHIAS


Buscando seguir o caminho dexado pelo Mestre que aqui passou, eu também procurei separar o amor da vaidade, porque esta é perniciosa, porque ela corrompe, porque não deixa que o amor dê, pelo simples prazer de dar, sem esperar recompensas. A vaidade quer que o amor dê, mas que mostre a todos que está dando.
Depois tentei separá-lo de outra má companhia, que é o ciúme, porque este deturpa o amor, impelindo-o aos abismos. Cega o amor, não permitindo que ele enxergue a verdade, predispondo-o à mentira. Faz com que o amor deite e acorde com a ilusão: luta tenazmente para que o amor se dilacere, que o amor se perca.
Tentei também separar o amor do orgulho, porque este tem o aspecto de papel de embrulho para presente, parece alguma coisa, que não tem nada dentro. O orgulho representa o amor a si mesmo; não é o amor que se esparge, não beneficia quem está a seu redor.
Constitui puro egoísmo, é o egocentrismo.
Caminhei um pouco mais e tentei separar o amor do desespero, porque quem se desespera não ama. Quem ama tem esperança tem fé, tem certeza de que o melhor irá acontecer. Ainda que possa ter o sabor do fel, no fim tudo sai bem, pois com O Criador, tudo é sempre bom, porque os reveses da vida são para o aprendizado do homem, embora sejam uma lição, às vezes, dura.
Nem sempre pode o professor dizer ao aluno que a sua lição está correta, que ele acertou o problema e dar-lhe parabéns. Muitas vezes tem que reprová-lo, obrigá-lo a recapitular as lições para que as matérias sejam bem assimiladas. Por isso, às vezes, no amor é preciso sofrer, penar, resgatar dívidas muito sérias que nem sempre são pagas com a atualização dos seus valores, com a mora devida, porque a Misericórdia Divina, de acréscimo, veio em socorro daquele que às vezes não tem recursos suficientes para pagar a parte principal.
Continuei e quis ainda separar o amor da falsidade. Há tantos que parecem amar, há tantos que dizem estar apaixonados e na verdade não amam, não gostam, não tem paixão alguma. São os que querem realmente tirar proveito das criaturas, das coisas, das circunstâncias, dos instantes, mas no íntimo não amam, porque o amor é eterno, o amor é infinito. Ele não muda de roupa, ou de feição, nem usa disfarces.
Existem tantos amores que se apresentam com a fisionomia mascarada, amores fingidos, mas apenas, esperando o momento para extravasar o ódio.
Assim, neste meu gesto eu tentei fazer com que os homens atráves dos rasbiscos compreendessem que, de fato, é o amor que constrói para a eternidade. Entretanto, só o amor livre da vaidade e da ambição, só o amor livre do egoísmo e da falsidade, só o amor livre das ilusões e principalmente alijado do ciúme, só este amor puro, santificado, é capaz de construir para a eternidade.
Muitos duvidam que o amor seja construtor de uma obra tão resistente ao tempo, tão resistente aos embates da vida. Amar é difícil, não é tão fácil quanto parece. O amor não se resume àquele sentimento que se tem por uma criatura. Não me refiro a este amor entre dois seres de sexo diferente, mas sim àquele amor universal que é a própria fraternidade, é a força de coesão que faz com que a humanidade seja uma muralha e se transforme em força e energia, inexpugnável como uma fortaleza.
 Embora o Mestre tenha clamado, como tantos, foi no deserto, pois sei que não conseguiu que o amor se separasse dessas más companhias. O amor quis seguir, conviver, permanecer ao lado da vaidade, da ambição, do orgulho, de todos esses sentimentos mesquinhos e corruptos que fazem com que a alma venha se destruir, possa perder-se, projetar-se em sérios e profundos abismos.
Como eu, também não conseguiram muitos que têm vivido por este mundo afora. O próprio Jesus, com toda a sua sabedoria, com toda a sua experiência, conclamou a humanidade para o amor e não foi por ela atendido. Ele que foi preparado pelo Criador para ser o paradigma de todos os homens na terra. Ele que veio pregar o amor, falou e não foi ouvido até a época em que nos encontramos, há dois milênios da sua luminosa passagem pela terra.
  No entanto tenho a esperança de que o amor não vai demorar por muito tempo, ele não vai mas conviver com estes sentimentos, vai se reabilitar. O amor vai se penitenciar de todas essas convivências indesejáveis e tornar-se realmente o grande construtor do mundo para a eternidade.
Enquanto isto não acontece, eu aqui  fico como aqueles que, da beira do cais, estão vendo alguém que naufraga, procurando jogar uma tábua de salvação, jogar uma bóia, querendo ir buscar aqueles que estão se afogando na perdição destes sentimentos negativos que envolvem o amor.
E todos nós,aqui ficamos na esperança, na fé, na certeza divina de que este amor um dia irá morar sem as más companhias, no fundo da alma de todos os homens.  Aí então poderemos bater palmas, entoar hosanas ao Senhor e dizer Mestre! Está pronta a Tua Obra! Os homens hoje se amam.
Jaubert
Enviado por Jaubert em 12/11/2007
Código do texto: T734180
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Sobre o autor
Jaubert
São Paulo - São Paulo - Brasil, 61 anos
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