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DIALETOS DA MISÉRIA

Serenando chove. Pingam soluços das tristezas que não encontram fundo. Pipocam os ribombos dos morteiros da última festa do padroeiro. Homens e mulheres, mais roupas rotas do que pessoas tartamudeiam dialetos incompreensíveis, frases soltas acompanhadas das mãos compridas esganiçadas. Dos dedos finos, ou rombudos, mas não da fartura, dos outros que contam calorias quando antes contavam lucros. São os dialetos da miséria. São dialogueses que só conversam esta mesma eterna cantilena, no momento em que a mulher pensando na idade que não demonstra – pobre moça- desespera com a morte do cachorro fox-terrier ou street dog, enquanto faz de surda ao reclamo insistente do garoto boquiaberto e franzino que no mesmo dialeto arrevesado só lhe pede um pouquinho, um poucadinho diminuto de DECÊNCIA.



MARIO ORTMAN FERREIRA FILHO

GROTIUS
grotius
Enviado por grotius em 13/11/2007
Código do texto: T736366

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 61 anos
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