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Esqueça suas idéias sobre "força de vontade"

Observe o comportamento de uma pessoa sem hábitos de leitura. Quando pega um livro, a primeiro coisa que ela faz é ver o número da última página. "250 páginas!". Depois folheia o volume procurando figuras. "nenhuma figura!". Por fim vê o tamanho da letra, "Letra pequena!", e acaba desistindo.

Quantos milhões de brasileiros começam o famoso "regime" na segunda feira? Sábado e domingo comem até não poder mais. Na segunda e terça comem bem menos e fazem uma caminhada de 40 minutos. Na quarta e quinta feira, voltam ao excesso alimentar e ao sedentarismo, piorando ainda mais no final de semana.

Algumas pessoas praticam mais esporte do que outras, fumam menos, ingerem menos bebidas alcóolicas, comem menos e estudam mais. Por que?

As explicações mais comuns são: "Ele têm força de vontade", "Ele é mais motivado", e "Ele tem uma força interior muito forte".

Essas concepções explicam nossas ações através de um mundo interior, mental, espiritual, e negligenciam as interações entre o organismo e o seu ambiente. Tente então deixar de lado o que pensa sobre força de vontade e motivação para entender uma nova explicação.

Imagine uma grande família se reunindo no final de semana para almoçar. Comem quilos de comidas, doces e bebidas. Riem, divertem-se, contam piadas, ficam embrigados e assistem o jogo de futebol. Eles fazem isso há anos. Imagine-se agora fazendo parte dessa família e de uma hora para outra você passa a comer e beber a metade do que comia e bebia antes. Quais das duas situações são mais prováveis? A primeira, sem dúvida.

Pense agora que você não tem hábitos de estudo e deseja estudar para um concurso. Para atigir a aprovação é necessario passar várias tardes e noites lendo livros grandes, sem figuras, com letra pequena e que você considera chatos. Mas por outro lado você pode gastar esse tempo jogando futebol com os amigos, ir no shopping, tomar sorvete, assistir novelas, filmes, etc. Novamente reflita o que é mais provável de acontecer.

Ao longo dos anos passamos por muitas interações com nosso ambiente. Tanto os comportamentos saudáveis e adequados quanto os não saudáveis e inadequados podem gerar conseqüências que fortalecem ou enfraquecem nossos hábitos.

Uma criança que é elogiada, premiada, valorizada, e recebe carinho e atenção depois de estudar e obter notas boas tem muita chance de se tornar um adulto estudioso. O mesmo vale para a criança que tem uma alimentação saudável, pratica esportes, mantém-se longe de drogas, resolve problemas sozinha, etc.

As conseqüências geradas pelo comportamento afetam a probabilidade de sua ocorrência futura. Para que então explicá-lo em termos de "força de vontade"?

Podemos pensar agora que a motivação não é algo que está dentro de nós, como um homúnculo nos impulsionando a agir. Na veradade motivação diz respeito a uma história de relações entre comportamento e conseqüências estabelecidas durante muito tempo. Ás vezes pode levar muito tempo para modificá-las, mesmo com a ajuda de um profissional especializado.

bohm.carlos@gmail.com
Carlos Henrique Bohm
Enviado por Carlos Henrique Bohm em 14/11/2007
Reeditado em 16/02/2008
Código do texto: T737214

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Sobre o autor
Carlos Henrique Bohm
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 33 anos
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Carlos Henrique Bohm