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Oscar e a feira de livros

     É o vendedor de livros e seu nome é Oscar. Fica inteirado da feira literária quando ela já passou. Vende livros velhos. A feira vende livros novos e a internet vende todos os livros.  Oscar vende livros de segunda mão. A Feira do Livro é evento extraordinário para Oscar. Por vezes fecha a loja e vai tomar suco na praça prenhe de alegria brejeira.  Nada se compara a praça e Oscar sabe disso.  Praça repleta de livros e expressões desejando um mundo decente como ele.  Olhares se procurando, vasculhando a diferença do sentido dessa decência em busca do livro vestido ou do livro nu. Este ano Oscar vendeu o mínimo aceitável de livros. Certa cliente preferencial após algum tempo a buquinar o balaio das promoções quebrou o silêncio dizendo: eu não gosto de livros!  Firme, transuda pelo calor no vestido azul claro, taxativa, berrou como se dissesse a grande verdade embutida nas gavetas da sua alma.   Poderia Oscar ter se fechado a tal invectiva? Sem ligar, comedido, Oscar, perceptivo, buscou o motivo para tanta distinção. Marga recuperou a frase inteira berrando: Eu não gosto de livros porque tenho computador! Ajustou o vestido apertadinho recuperando a calma  para  complementar: o livro é bom, mas derruba matas.
     O que ele nos ensina são dois mundos e mais outros dois mundos e assim sucessivamente.
      Por sorte Oscar ouve rádio e pelo rádio faz a sua promoção trabalhosa de livro velho e barato sempre em tom supercivilizado. Criou o quadro: “Para ver quem é que sabe!” Sempre o Dr. Castanhera sabe. Responderá a última indagação da promoção: qual é o melhor amigo do homem?
      Todos se mobilizam para responder.  A empregada corre da cozinha atirando a pergunta em cima de Oscar entre batatinhas fritas. Ao César o que é de César.
     - Qual o melhor amigo do homem?
Responde Oscar para desânimo geral: o melhor amigo do homem é o livro! Mas o cachorro leva fama...
      Todo o dia além de vender livros surrados Oscar escreve abalizado o seu crônico tímido e modesto testemunho diário. É ritual exclusivo.  Procura escrever a melhor crônica da sua vida.  Esta é a história de Oscar. O velho denodado vendedor de livros.
Oscar que ouve comentários daninhos dos piores críticos literários do universo, seus amigos, sobre crônicas irregulares que comete no sábado.  Segue discutindo com o Cabral Teixeira na esquina em mangas de camisa... As gaiteadas... Sobre haver certas coisas muito lá sem graça que valem à pena. (Risos). Mas é preciso saber ouvir o Rei de Espanha...
       
Tércio Ricardo Kneip
Enviado por Tércio Ricardo Kneip em 14/11/2007
Reeditado em 03/11/2010
Código do texto: T737271
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Tércio Ricardo Kneip
Santa Vitória do Palmar - Rio Grande do Sul - Brasil, 54 anos
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