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AIDS

AIDS  O VERDUGO DO SÉCULO

Nunca houve na história da humanidade, regime e ou ditadura, que nos tirasse a liberdade como o faz o vírus da AIDS. Esse monstro devastador transformou os nossos gestos mais simples, em uma aventura de alto risco, seja uma transfusão de sangue, uma obturação de um dente ou um contato mais íntimo com um desconhecido, sem falar na frustração da conquista feminina do tal amor livre, que nunca se tornou tão proibido. Hoje os pais já não ligam tanto se a filha é ou não virgem, se ficará ou não grávida sem uma união oficial, mas sim, para a probabilidade de ser contaminada através de um ato que deveria ser de amor ou por uma imprudência idiota de consumir drogas injetáveis partilhando agulhas. A preocupação expandiu-se para os filhos, que o machismo protegia das preocupações sociais, pois o homem corre hoje o mesmo risco que a mulher, sendo que ambos em suas aventuras da juventude, não dão muito crédito às falácias sobre o assunto, o que o torna muito mais fatal.  Quando constatamos que Nostradamus em suas profecias e João Batista em apocalipse, previram tal moléstia, dá-nos a impressão de que não podemos fugir dessa predestinação, que espero, seja para aprimorar a espécie humana.
Para o poeta, esse ser de visão dirigida à beleza, viver esse pesadelo é arrancar a alavanca que o sustem de pé, é cobrir com toalha transparente sua musa, de forma que ele pode vê-la, adorar, até fazer seus versos, mas não poderá tocá-la sem o risco de ruir todo o encanto que o transforma neste apaixonado pela criação divina, neste agradecido ao criador, por deixar a seu alcance esse testemunho de sua perfeição, que é a mulher. Hoje quando olhamos nossas catalisadoras de inspiração, não nos escapa uma interrogação sobre o perigo que pode haver, habitando esse templo de beleza. A AIDS não mata apenas os contaminados, que apesar de ser um número expressivo, é relativamente pequeno, ela mata de medo toda a humanidade, ela tira o sossego dos pais, filhos, governantes e governados, ela mata o encanto de um ato de amor, aumenta os riscos para os hemofílicos que precisam de subprodutos do sangue e transforma o que poderia ser uma vida simples e descontraída em uma aventura existencial.  Certamente com a batalha que venceremos o tal vírus, terminaremos por descobrir diante da ameaça de morte, o verdadeiro valor da vida e com certeza acabaremos resolvendo outros males tão perigoso quanto. Mas nada apagará da mente de um poeta, a dor de ver seu semelhante e ou a se mesmo, tendo a vida drenada por este mal, seja o vírus propriamente dito ou apenas o medo, que para alguns, é quase a mesma coisa.
Jacó Filho
Enviado por Jacó Filho em 15/11/2007
Código do texto: T737952
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Jacó Filho
São Paulo - São Paulo - Brasil, 68 anos
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