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(imagem de Nuno Belo, www.thousandimages.com )

ESTRANHA GEOMETRIA



         Tenho um estranho desejo: adoraria ser um tanto mais redonda. Explico-me: redonda o suficiente para ser capaz de dar uma volta inteira em situações difíceis, principalmente quando isso envolve o fato de que dizer a verdade fere as expectativas que alimentam a meu respeito. Infelizmente, sou quadrada. Vou enquadrando como se deve, se necessário com uma moldura sem dourados. Tudo com as cores que realmente têm e quase sempre, o negro prevalece.

         Talvez fosse melhor se eu fosse um tanto elíptica. Para minha desgraça (na falta de palavra melhor) sou muito reta e direta. A maioria dos problemas que me vêm e dos desafetos que ganho vêm justamente desta curva que sou incapaz de fazer. Adoraria que minhas atitudes pudessem ser um pouco parecidas com uma e outra curva que tenho fisicamente. Desafortunadamente, as curvas ficam apenas no corpo e não podem ser transferidas para outra área que não a anatomia. 

        Uma elipse cairia muito bem para que elipticamente, eu omitisse (aqui a redundância é necessária e faz parte da minha mania de deixar tudo muito claro) coisas que meus interlocutores prefeririam não saber. Isso me custou a perda de pessoas que, por querer bem demais, tive que deixar. Exatamente para ser quadrada e sem curvas de conduta e magoar uma vez só para não magoar a vida inteira.

          Uma espiral também não seria má idéia: em pequenas curvas ascendentes ou descendentes - a depender do caso - ajudariam a dar más notícias causando pouco dano. Pra meu azar, desconheço como desenhar espirais e continuo achando que o melhor caminho é o mais curto: uma reta. Direto ao ponto, de novo.
Resulta daí que minha conclusão é que devo voltar à escola e fazer as aulas de geometria, que com toda certeza, matei por achar que não me serviriam para nada. De novo, azar: acho que perdi o controle das mãos e a vontade de desenhar coisas muito complicadas.

         Não tem saída: a saída é uma tangente, no máximo. Só que, como se sabe, reta. E direta.
Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 15/11/2007
Código do texto: T738336

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
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Débora Denadai

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