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MEUS DEDOS FOLHEIAM AUSÊNCIAS

Ali, na foto amarela, ainda vejo ela. Um pedaço do passado, aquele achado que pensava ter perdido. Como dói aquela foto no álbum desconjuntado. Será que lembraria quem era ela, ou de se perfume. Este cheiro de mofo, do passado semi-enterrado impede recordar o momento em que- ou onde- conhecera a moça do retrato. Junto, no álbum, reminiscências da existência. Fotos de senhores sisudos, mulheres de cabelo escuro, primeira comunhão. A imagem amarelecida esta como meus amigos idos transcorridos, vizinhos desaparecidos. A vista nos meus olhos se definha, as figuras borradas, serão recompostas nas impressões imprecisas das mesmas deduções que queremos reencontrar. Sinto as lembranças revividas pelos sentidos que não mentem, só desmentem. Passo meus dedos finos, descarnados no retrato, sentindo as recordações perdidas, sejam Amélias, Fernandos, Sérgios ou Dagobertos, ficantes que pararam pelo caminho. Uns desistiram – outros resistiram aos embates, como caniços que vergam, mas não quebram as hastes. Eu , meus senhores , fui planta pequenina , adubada, carvalho forte e rijo, caniço sem medo ou dor. Hoje, um tanto esmolambado, fica junto destes velhos álbuns desconjuntados procurando com meu tato, estas doces ausências.


MARIO ORTMAN FERREIRA FILHO

GROTIUS
grotius
Enviado por grotius em 17/11/2007
Código do texto: T740769

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 62 anos
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