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= POST DO GIGAFOTO =

       Tenho andado meio triste, daí que não fico muito a fim de postar.
Mas esse negocio de post vicia...
Postar ou não postar?
Eu nem gosto dessa coisa de conjugar esses verbos estrangeiros como se fossem nacionais...
Postar, deletar, estartar...  Modernidade... O que a gente não faz em nome da atualidade!
Sei que é uma coisa muito antipática falar mal do vocabulário alheio.. Mas não é dos outros que vou falar, é de mim, da minha língua, do meu pensamento.
Não é uma questão "do que os outros vão pensar"... É uma questão de ser compreendido.
      De que adianta usar um vocabulário ultra-moderninho mas se dirigir a pessoas menos modernosas que não vai entender nada?  Adoro uma gíria, afinal sou carioca, mas como admiro e gosto de um português bem falado! Escrito então...
    Por outro lado, certos sacrifícios compensam: se as pessoas entendem melhor o postar que o inserir, colocar; em nome da comunicação e bom entendimento postemos, pois! Aqui, não na minha casa, nem nos poemas! Certas coisas são admitidas no mundo net, afinal servem pra economizar e o mundo da informática está tão mais perto da língua inglesa que de nós ... E nós tão perdidos num país que a gente não sabe se é primeiro entre os últimos  ou último entre os primeiros....  Por outro lado, lá estou eu colaborando para o empobrecimento e emburrecimento de muita gente legal...

    Pensemos: Algumas pessoas, pobres coitadas, como eu (que não tiveram PC na adolescência ou enquanto teens- que cá entre nós eu não sei como sobrevivi sem net tanto tempo, ainda têm a escolha entre as formas de expressão do seu vocabulário. Elas podem escolher a sua linguagem. Mas, como fica  a galera que prefere scrap que recado, tc que escrever, o monitor ao papel, a linguagem visual à leitura?
   
     Tenho certeza que não preferem o inglês ao português, porque nenhuma gramática é boa ou fácil, trazendo em si afinidade com a juventude. Nem todo jovem é  Mozart, nem todo teen é Shakespeare,( graças a Deus!) embora ambos tenham começado muito cedo... Mas todo jovem é igual desde o tempo dos papiros: Eles querem falar, expor idéias (e cada idéia!),  quando eu era mais jovem muitos tinham até ideais! Jovem quer estar junto, quer dizer o quanto ele está certo e o quanto esquecemos com o tempo. Querem publicar o quanto são incompreendidos porque vivem num mundo de M e essa M sempre quem faz somos nós, a geração anterior, que segundo eles, não faz nada direito e quer obrigá-los a fazer tudo certinho...
Jovem é cruel, inteligente, todos são bonitos e vivem se "achando", mesmo que no fundo chorem pelas suas espinhas, pernas compridas ou braços finos, peitos pequenos ou grandes, sardas e cabelos. Porque o jovem nunca está satisfeito com o mundo, às vezes nem com a sua aparência... Mas nunca somos tão humanos quanto na juventude!

       Um dos grandes lances quando era um pouqinho mais jovem era cachoeira. Lumiar era tudo de bom! Acampar era o tudo! Perigoso em Guaratiba, Ponta Negra e por aí vai. E tiíhamos nós ainda que aturar o povo que não entendia nada de coisas tipo: “sacou”, “tava a maior lua” e “pra kct”, “vamo nessa” e muitas outras coisas mais.  Os pais ainda tentavam prender a gente dentro de casa porque o mundo era perigoso e baseada nisso, hoje falo sem medo de errar: eles estavam por fora, não tinham a menor noção e todo mundo que tá lendo  sabe porque.
      Eu tenho mais de 20 anos mas se sento na praia pra falar nisso quem ia ouvir? Talvez as tias de 40. Viva a Net! E se liga: Tia é o “carái”! Quem tem sobrinho barbado é gato!
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Nas minhas últimas férias passei uma eternidade em Rio das Ostras. Na casa de uma amiga. Num dia daqueles ela descobriu da minha paixão pela água. O mar é mais acessível então é parceiro, a cachoeira por sua dificuldade só pode ser amante. Então, ela me deu uma carona a caminho de Sana e, neste caminho tem o Poço do Pai João do qual postei várias fotos no meu fotolog (onde só coloco paisagens fotografadas por mim) e escrevi esta  barbaridade de comentário, aí de cima. Percebi então, que eu ainda era escritora como nos tempos de criança quando não tinha irmãos pra brincar, a babá não era eletrônica e eu achava demais alguém com livro na mão e uma estante cheinha, meio assim como hoje quem tem um play3, um MP5, um carrão ou passa horas na academia cultivando um corpaço que na maioria das vezes só serve mesmo pra olhar...
No dia desse passeio. não tinha muito sol, nem estava muito calor. Mas a luz rala na densidade da mata emprestou para as minhas fotos "amadoras" um pouco de mistério. E a alegria de estar entre amigos, com mi amore, viajando no tempo fez-me fez clicar com ternura e ingenuidade.
 Quem é amigo entende que esse é o meu modo de me livrar dessa tristeza que não me larga desde ontem...

Fiquemos todos na Paz.
Amanhã devo ir pra outro lugar.
Ahn, brigadim, tá! A tristeza passou.

PS.: Escritora amadora, fotógrafa amadora, designer de vez em quando, sabem, acho que o dia que for profissional não vai ter a menor graça....
Deusa Urbana
Enviado por Deusa Urbana em 17/11/2007
Código do texto: T741098
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Sobre a autora
Deusa Urbana
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
108 textos (4117 leituras)
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