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Casa de Rio Grande

   Hoje eu poderia escrever sobre qualquer coisa, qualquer coisa mesmo. Poderia escrever sobre minha vizinha de prédio, que deixa a janela aberta e vai tomar banho passeando nua pela casa. Poderia escrever uma reclamação a um amigo dizendo que seus cachorros trazem pulga para o prédio, poderia falar sobre a política, sobre as agradáveis aulas de português na faculdade, ou apenas falar do céu, esse imenso azul sob nossas cabeças. Poderia falar sobre terrorismo, sobre o 11 de setembro, mas minha cabeça hoje ta um branco. Hoje não penso sinto apenas a saudade, uma saudade que bate no peito quando me vem as lembranças do sul, exatamente a cidade de Rio Grande.
  A saudade é uma dor terrível, pois não passa com remédios ou fugas mentais. Ela só é amenizada quando lembramos, quando nossas lembranças alegres trazem ao nosso dia algo especial.
  A noite em Rio Grande, no inverno, é muito fria, de modo que as ruas ficam completamente desertas por volta das 19:00h. Lembro-me que eu estava passeando por volta da hora anteriormente mencionada, quando avistei aquela casa, tinha uma placa sob sua porta dizendo " seje bem vindo". Quando cheguei na porta prontamente veio pessoas me receber, me senti bem, pois as pessoas eram de uma educação tão refinada que lembrava meu lar em Minas Gerais. Me senti em minha terra, terra onde o vento bate no rosto de maneira agradável, carinhosa. Lembrei da tranqüilidade de andar nas trilhas da fazenda São Dimas, aquela tranqüilidade que se tem em um lugar que se conhece bem. A entrada naquela casa me fez lembrar de quando eu era criança e ia roubar manga na fazenda ao lado, me lembrou também de todas minhas brincadeiras, pique - esconde, cabra-sega, garrafão, pega-pega, salada mista.
Minha vida toda passou por mim em um segundo, naquela noite, nunca tinha sentido algo assim. Eu vi o início de tudo, e chorei, e caí, levantei-me, vivi dias intensos, onde o amor era minha única e suficiente força.
Wenderson Moreira
Enviado por Wenderson Moreira em 18/11/2007
Código do texto: T741931

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Sobre o autor
Wenderson Moreira
Conselheiro Lafaiete - Minas Gerais - Brasil, 43 anos
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Wenderson Moreira