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TEMPOS EM TEMPOS



Praia do Lami. Assim era conhecido o hoje bairro do Lami, situado na zona rural de Porto Alegre e banhado pelo Guaíba, antes rio e atualmente chamado, ou considerado, lago Guaíba. Lago (Rio) Guaíba, tão exaltado em diversas canções, como nesta letra escrita por Vitor Mateus Teixeira, o Teixeirinha, que diz assim: “... tuas mulheres são belas / com a beleza e a graça / das águas espelho delas / do Guaíba que te abraça”. Nos idos dos anos sessenta, do século passado, a luz elétrica, a água encanada (tratada), o telefone fixo (não existia celular), o asfalto e a poluição não faziam parte do cenário da semi-virgindade natural daquela área. À época, vivia por lá uma figura que se tornou folclórica: o “véio Garibaldi”. Suas tiradas simples eram marcas registradas. Em qualquer assunto, lá vinha um “isso mata uma pissoa”; ou “cruiz im credo”; ou, ainda, a mais famosa: “de tempos em tempos”, que a uso como título deste artigo.
Dia 21 de novembro de 1997 escrevi para o jornal Folha de Palmares o primeiro Chasque da Cultura, adaptando ao jornal o comentário que apresentava na rádio 106,3 FM, Aliança, de Porto Alegre, no programa Chimarreando com Deus. Sempre fui partidário de que se reverenciem datas e marcos (ou marcas) da existência coletiva ou privada. Pois, aqui neste espaço, de tempos em tempos destaquei os acontecimentos que julguei dignos de uma consideração, apesar não ter registrado tantos outros, igualmente merecedores, por motivos os mais diversos. Números, ou datas cheias, são marcantes. O número 500 da Folha de Palmares é/foi uma marca. Num país em que pouco se lê, um pequeno jornal ter 500 edições é uma conquista. Pois, dia 21 de novembro de 2007, quando completo uma década de Chasques, na Folha, colho do “véio Garibaldi” o “cruiz im credo”, pela persistência do diretor do jornal em mante-lo ativo. É emoção para a qual o saudoso “véio” diria: “isso mata uma pissoa”. Espero continuar registrando, de tempos em tempos situações semelhantes, principalmente nos aspectos relacionados com a disciplina, educação e cultura, que é o tripé sustentador do saber, única forma para o povo discernir sua função e missão cidadã. A todos que apoiaram, e apóiam, com a publicidade, assinatura e compra de números avulsos, apresento a minha saudação. Hoje, vários sites publicam na Internet os Chasques; estão, igualmente, em quase duas dezenas de livros/coletâneas. E guardo numa pasta exclusiva, no computador, os e-mails recebidos com manifestação dos leitores. De tempos em tempos abro-a; e a releitura, às vezes, quase leva para um isso mata uma pissoa . Cruiz im credo!
 
Cláudio Pinto de Sá
Enviado por Cláudio Pinto de Sá em 19/11/2007
Código do texto: T743165
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Sobre o autor
Cláudio Pinto de Sá
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 70 anos
163 textos (23589 leituras)
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Cláudio Pinto de Sá