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PELO AMOR

Célia Lamounier de Araújo
Jornal Gazeta do Oeste 02.01.99

No vai e vem da “avenida” todas as noites traziam a esperança e o sonho. Um olhar diferente, um rosto novo, a troca de sorrisos, a expectativa do flerte. As conversas, as amizades, os trabalhos escolares, um filme no cinema eram assuntos da semana. Tudo era importante, simples e lento. Tempo de crescer e se aperfeiçoar. Tal qual um prato no restaurante é escolhido entre conversas e flores, a mesa é arrumada vagarosamente e tudo acontece no tempo certo.

O prazer de esperar. Os destinos que se cruzam ou não, enquanto a fruta amadurece e a mulher se equipara ao homem. Na hora certa surge... o eterno vencedor... o amor. O amor livre nas asas do vento, doce nos lábios da noite, quente no explodir da carne, estranha volúpia abismal do olhar. Amor que engolfa águas bravias e salva o corpo e a alma do vazio, amor que enobrece e dá sentido à vida.

Porém, a geração de hoje perdeu o encantamento dos sentidos e sentimentos, perdeu-se de tudo. Não ouviu falar de suspiros, desvelos e respeito, não conhece a graça dos galanteios nem a troca de olhares furtivos, não experimenta o encontro casual das mãos que se encontram, um frêmito selvagem na dança de salão, o desejo crescendo. Desconhece o valor das artimanhas da vida. Não busca analisar o próprio eu, o mundo e os caminhos que se abrem. Entrega-se cedo demais ao imediatismo, pula etapas, pobre geração. Vazia de ambições, despreparada e sem ideais, fruto da cobiça de outros mundos.  Marcuse, o escritor sociólogo já previu tudo. Mata-se a águia, cria-se o gado para minar a Pátria. O ambiente é de bebidas, droga e sexo livre – nosso Brasil de agora, que segue a tropeçar, cada vez mais, nas cinzas do futuro. A noite vem descendo, invade as sombras que pairam sobre o Brasil. Os olhos não enxergam envoltos na orgia criada para embaçar.

Um grito vago, aqui e ali, alertando sobre o ontem-hoje-amanhã. Todavia, os conhecimentos de bem viver simples, ao lado da natureza pura, não se perderam de todo ainda. A chama da vitória pode voltar a brilhar nos olhos hoje mornos da juventude, pela liberdade e glória, por Deus e pela Pátria, especialmente pelo futuro de todos, na ressurreição do amor. Que assim seja, espero!

ALERTA geral aos homens da terra:
“Se as pessoas não cuidarem da preservação dos animais, dentro de poucas décadas, não haverá mais nenhum animal sobre a terra” Célia Lamounier de Araújo-Itapecerica MG

www.celialamounier.net

 

 

 

CÉLIA Lamounier de Araújo
Enviado por CÉLIA Lamounier de Araújo em 21/11/2005
Reeditado em 04/01/2011
Código do texto: T74333
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Sobre a autora
CÉLIA Lamounier de Araújo
Itapecerica - Minas Gerais - Brasil, 73 anos
15 textos (600 leituras)
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CÉLIA Lamounier de Araújo