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VARANDEAR

Como adorava se olhar! Com aquele secreto prazer que deixava ser vista. Aquele sentimento de poder. A saia estampada, os pés descalços ou em sandálias velhas vagabundeando pelo chão pisado. A excitante sensação da mais completa onipotência. Saber ser mais uma vez dona dos pensamentos dos homens que a olhavam. Cabelos longos, negros e soltos dançavam ao som do remanso manso do vento. Pode ser que logo choverá, ela sente. O rosto de traços fortes, moreno, era vez por outra escondido, por suas negras madeixas.  O que mais fazia subir a idéia de toda aquela gente eram os dois montes redondos, sedosos, todos os dias passeando no decote avarandado. Pois era assim que chamava estes passeios tardios: VARANDEAR. Andava despreocupada com aquele malemolente andar que encampava desde a vamp á colegial tímida, varandeando seus atributos seus atributos muito mais que tributáveis. Pequenos, os pingos da chuva lacrimejam transformando em torrentes liquidas que moldam o vestido estampado. Breve as gotas parariam junto do umbigo ou no regaço de pele lisa. Como se tomada por algum ser orgástico , suspira , deixando os pingos varandeando. E assim some a lembrança da mulher de carne e osso que todas as tardes pela rua andavam nua, ou quase nua, deixando os pobres mortais, assim varandeando.

MARIO ORTMAN FERREIRA FILHO
GROTIUS
grotius
Enviado por grotius em 19/11/2007
Código do texto: T743606

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 61 anos
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