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DOZE BADALADAS

Doze badaladas e mais nada. Aquele silêncio na cidade que dorme ou se esconde. Passos apressados acompanham até o fim o corredor iluminado. Passos fugidios que desaparecem no silêncio das pedras limosas, úmidas, terrosas da fortaleza onde jogam pessoas sem nome. Esquecidos vão sobrevivendo como podem longe perto das pessoas lá de fora, que hoje escondem o rosto quando passam ao largo da construção encimada por guaritas e soldados com alabardas. Doze badaladas e mais nada. O tempo escorre lento aqui dentro especialmente lento como as gotas de umidade escorrendo desde o teto, onde o homem de barbas brancas escreve o Tratado dos Homens mortos.  Faz anos que tenta sem sucesso terminar o trabalho. Bem sabe é o último que intenta passar o tempo que vem sendo medido pelas seguidas badaladas do relógio que marca a hora da sua ultima hora. Antes que seja tarde faz o trabalho da umidade, e assim desiste da vida antes que termine as doze badaladas.


MARIO ORTMAN FERREIRA FILHO

GROTIUS
grotius
Enviado por grotius em 19/11/2007
Código do texto: T743634

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Sobre o autor
grotius
Santo André - São Paulo - Brasil, 61 anos
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