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Saudade de Benito

A saudade é muito forte e sufoca o coração;
Sem chorar não tem quem suporte, a grande dor da separação.

Há dias que tenho vontade de escrever sobre a morte de Benito - uma das vítimas de acidente de trânsito -, mas me faltavam palavras. Ainda em estado de choque, não conseguia escrever nada, apenas chorar, chorar, desabafando a dor que insiste em ficar dentro do peito. Ah! Só quem sabe o quanto dói é quem já experimentou uma situação como esta. É muito doloroso ver alguém ser arrancado bruscamente do convívio familiar, sem deixar explicação. E, como se não bastasse, tomar conhecimento de que a Justiça caminha a passos lentos na investigação do fato, mostrando de certa forma que a impunidade tenta prevalecer. Quem é o culpado na história? Quem está com a razão? Só não queremos é que o morto precise se defender! É evidente que a consciência fala muito alto, mas quando se trata de ‘pagar pelos erros’, parece mesmo que a consciência humana nessas horas fica muda e os sentimentos ficam entenebrecidos, a ponto de se mudar o contexto de uma história.
Quanta frieza por parte das autoridades! Até certo ponto eu entendo. É porque este não é o primeiro caso, é claro, e também a dor que sentimos não é sentida por mais ninguém. Nossos sentimentos muitas vezes nem é respeitado. Quanta indiferença para com o ser humano! A dor da família foi mais intensificada ainda pelo descaso com que trataram o acontecimento. Parece mesmo que o material tem mais valor que a vida humana! Não deveria ser assim. Quando se mata um animalzinho acidentado, quem tem coração fica chocado, quanto mais matar alguém – um rapaz de 18 anos - em plena juventude, com tantos planos, tantos anseios! Qual deveria ser o sentimento de uma pessoa que mata no trânsito? Acredito que deveria ter sensibilidade o suficiente para não colocar o que é material em primeiro plano. Por que não prestar socorro à vítima? Tratando-a como se fosse um ‘Zé ninguém’ e o carro valesse alguma coisa. E ainda dizer: ele acabou com o meu carro! Quanta insensibilidade! Não se pode comparar o preço de uma vida humana a nenhum bem material, por mais elevado que seja o seu valor.
O nosso coração se abate cada vez mais quando sabemos dessas coisas, pois nada preenche a falta que Benito nos faz. A lacuna deixada por ele, não pode jamais ser preenchida. Assim como nós há muitas famílias por aí, enfrentando a mesma situação de dor. E, com certeza, daríamos tudo o que fosse preciso para que tivéssemos o nosso sobrinho, irmão, filho, neto, primo e namorado de volta. Diante de uma realidade como esta, os nossos valores são mudados. Não vale a pena ter bens materiais, quando a família está incompleta. De que adianta?! Como é horrível perdermos alguém, e de forma trágica como esta pior ainda. Que haja punição para os assassinos do trânsito. Que haja respeito e responsabilidade no desenrolar dos fatos. Confiamos em Deus que tudo será esclarecido e a verdade, com certeza, triunfará! É tudo quanto queremos.
Betty Nobre
Enviado por Betty Nobre em 20/11/2007
Código do texto: T744893

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Sobre a autora
Betty Nobre
Campina Grande - Paraíba - Brasil
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