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O dia mais feliz de minha vida

              Depois de vários assuntos interessantes, na companhia de muitos amigos agradáveis e todos comprometidos, surgiu a idéia de relatarmos o dia mais feliz de nossas vidas.

Como era de se esperar, noventa e nove por cento disseram ser o dia de seu casamento.

Quando disse que o  meu dia,  foi a “Baixa”,  alguns permanecerem em dúvida e outros se  indignaram.

Apressei-me  a explicar, afinal minha grande paixão encontrava-se ao meu lado.

Vamos ao relato:  Final de novembro,  a apenas duas semana para a primeira baixa do quartel,  e meu nome já encontrava-se na aguardada lista.

  A próxima dispensa de serviço,  também com a data marcada,  só aconteceria no mês de fevereiro, fácil prever:  Dias e dias de serviços, em datas como o natal, ano novo e carnaval.

Mas neste momento,  surgiu o chamado “Manobrão”,  semana em que quase todo o contingente militar iria para o campo, e os soldados como eu,  só dariam apoio  aos alunos, que se formariam sargentos.

Tentei entrar no clima, a alguns dias da salvação, não iria aborrecer-me  por ficar uma semana no campo, e até comprei algumas garrafas de aguardente, para acompanhar-me  nesta última aventura.

A ambulância que fui escalado a dirigir, era como aquelas da segunda grande guerra mundial,  possuía uma enorme  carroceria em forma de baú, um local perfeito para uma festinha de despedida.

Junto a mim na ambulância, um tenente médico,  obrigado também a servir o exercito, após sua formatura.

Fizemos uma tremenda amizade, afinal foram horas dentro da ambulância, acompanhando os “alunos”, em uma marcha de várias horas,  e tínhamos em comum, a satisfação de estarmos livres em alguns breves dias.

A noite caiu, e como soldados “safos”,  já tínhamos organizados tudo, os recrutas do rancho conseguiram , vários aperitivos como:  Batata-Frita, queijo e azeitonas.

Dentro da ambulância, com muito espaço e o baú fechado, a sensação de segurança era completa, e a festa prometia.

E não deu outra... Com um violão, tira-gosto, marijuana e novas  garrafas de “Pitu”, a festa chegava ao auge,  a ponto de já estarmos cantando:  “Atirei o pau no gato-to,  mas o gato-to,  não morreu!”. Imaginem o grau...

Mas neste momento,  vocês começaram a entender, porque a baixa foi o dia mais feliz de minha vida...

             Um bisonho (gíria militar de soldado otário),  teria saído da ambulância e estaria brigando com alguns superiores, na lei do campo, todos teríamos que ajudá-lo, e foi isso que aconteceu...

Chegando no duelo, e já vendo tudo embaçado,  tratei de empurrar o mais fraco... Menor em tamanho! Mas em graduação.... Era Major!!   Adeus “Baixa”,  pensei.

Mas nesta vida, temos momentos de sorte. O Major gritou o Tenente médico, aquele que fizera amizade, e foi logo lhe dando a ordem:
             - Verifique se este soldado está bêbado?

E após alguns minutos, me examinando, veio a resposta do médico:
- Não, Senhor.

As  últimas palavras que me lembro ouvir naquela noite foram:
- “Truco!!”

Alguns dias  depois,  já estava com minha certidão de serviço militar, sendo assim pergunto:
              -  Não seria o dia de minha baixa,  o mais feliz de minha vida?

                                                  dcapitaneo@gmail.com
Douglas Capitaneo
Enviado por Douglas Capitaneo em 27/11/2007
Reeditado em 31/01/2008
Código do texto: T754636

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Sobre o autor
Douglas Capitaneo
Varginha - Minas Gerais - Brasil, 44 anos
18 textos (5451 leituras)
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Douglas Capitaneo