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As nuvens e as infâncias

            “Olha aquela, é um avião”.
“Estou vendo uma flecha”.
“Uma carroça”.
Era assim que passávamos horas e horas nos divertindo com as nuvens, que, para todas as crianças daquela época, não eram nuvens, eram animais, objetos dos mais diversos, todos os que podíamos imaginar.
Do que elas eram feitas? Tal curiosidade não era o suficiente para tirar nossas atenções. Vislumbrávamos mais um macaco que acabara de se formar, minutos antes a mesma nuvem era um elefante, ou uma elefanta?
Nossa meninice se enveredava pelos ares todas as vezes que chegávamos da escola primária, nosso passa tempo predileto, tirando os brinquedos que criávamos e os esmerilávamos nas ruas de chão do bairro pobre da cidade. Ah, aquilo sim era infância!
Agora, somos homens crescidos, cada um seguiu um rumo diferente, outros já morreram por, talvez, decisões erradas que tomaram. Nossos filhos não conseguem ver animais nas nuvens, e, para nós, as nuvens são nuvens, apenas nuvens.

José Augusto G. de Almeida
José Augusto
Enviado por José Augusto em 27/11/2007
Reeditado em 18/06/2008
Código do texto: T755614
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Sobre o autor
José Augusto
São Paulo - São Paulo - Brasil, 43 anos
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