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RITUAL MATUTINO

RITUAL MATUTINO


Eu nasci em 1949, na cidade de Araripina, localizada no sertão de Pernambuco. Lá, como em qualquer cidade do interior, existiam costumes peculiares entre os quais, o que mais me comovia, era a forma como se comemorava o dia das mães. Todos os anos, nesta data memorável, um ritual se repetia: Às cinco da manhã tocavam os sinos da igreja matriz por aproximadamente dez minutos e em seguida tocavam algumas músicas sacras e no final, fechando com chave de ouro, tocavam Aranjuez e recitavam alguns poemas que eram ouvidos em toda cidade.
Minha família, tinha seu domicílio em um sítio chamado Jardim, que ficava à cinco quilômetros da cidade. Todos os anos, no segundo sábado de Maio, minha mãe se deslocava para cidade e dormia na residência de algum parente, para ouvir o que ela chamava de alvorada, ou seja, aquele ritual de beleza adequada ao dia das nossas progenitoras.
Eu fui criado por uma tia que residia na cidade, e sempre acompanhei esse ritual com muita admiração, e mesmo após mudar-me para o sítio, sempre que minha mãe ia à cidade para assistir a alvorada, eu lhe acompanhava.
Em maio de 1964, estávamos construindo o prédio do engenho ao mesmo tempo em que plantávamos o canavial, o que demandava um trabalho de gerência doméstica muito grande, e por isso minha mãe não pode ir à cidade para ouvir a alvorada e logo após, participar das comemorações nas escolas em que estudávamos.
Na madrugada do segundo domingo de Maio deste ano, eu acordei por volta das quatro horas da manhã e lembrei que naquele ano, minha mãe não teria alvorada, e comecei a pensar numa maneira de não deixar aquela data passar em brancas nuvens, ou seja, fazer alguma coisa que desse um pouco de alegria para ela e amenizasse o fato de não ter ido à cidade como de costume. Após alguns minutos de reflexão, decidi compor um poema, em tempo de recitá-lo antes que a mesma acordasse, e assim o fiz.  Às cinco da manhã, eu que sempre dormia com o violão em baixo da rede, peguei-o, e para acordá-la, toquei a música Casa do Sol Nascente, que ela gostava muito e em seguida, sob os acordes da mesma, recitei em voz alta, o soneto que acabara de compor:  SER MÃE, editado neste recanto.

(Texto extraído do livro "POETA CRÔNICA & VERSOS" de Jacó Filho)


Jacó Filho
Enviado por Jacó Filho em 30/11/2007
Código do texto: T758778
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Sobre o autor
Jacó Filho
São Paulo - São Paulo - Brasil, 68 anos
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