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DEZ , ENTRE AS COISAS MAIS CHATAS QUE CONHECEMOS...

   Estávamos num barzinho conversando, eu e mais dois amigos, e ao contrário do que as mulheres possam pensar, não falávamos delas. É bem verdade que entre um chopinho e outro cada um de nós procurava se lembrar de velhas piadas, o riso corria fácil e tudo era motivo para programarmos a próxima rodada.

   Súbito, alguém (sinceramente não me lembro qual dos três) sugeriu que colocássemos num papel as coisas mais chatas que conhecíamos. Muitos risos, mais uma rodada de chopes e alguns pastéis e colocamos nossa memória para funcionar, que depois de passada à limpo algumas vezes , gerou a seguinte lista :

” Kombi que vende pamonha, ouvir conselho de sogra, gata miando quando está no cio, barulho de porta rangendo, especial de fim-de-ano do Roberto Carlos, zumbido de mosca no ouvido quando se quer ver futebol na TV, mulher querendo discutir a relação quando o marido está com sono, fila de banco, cunhado que pega sua cerveja na geladeira, dor de dente, criança fazendo pirraça em shopping, ouvir desculpas e explicações de quem está errado, cachorro latindo de madrugada, papagaio que não sabe falar palavrão e político fazendo discurso”.

   É claro que se houvesse mais tempo e não estivéssemos entupidos de tanto comer pastel (chope não enche nem entope, só alegra!) com certeza a lista seria muito maior!

   Lista pronta e muitas risadas, pedimos mais uma rodada de chopes (desta vez, preferimos bolinhos de bacalhau para acompanhar) e chamamos o garçom para nos ajudar a escolher a coisa mais chata que constava na lista.

   O garçom, velho conhecido, leu todos os itens atentamente, olhou para cada um de nós e teve um verdadeiro ataque de riso. Surpreendente, nunca tinha visto garçom tendo ataque de risos! O barulho chamou a atenção dos rapazes que estavam na mesa ao lado que tão logo tomaram conhecimento do caso tiveram o cuidado de juntar as mesas, pedir mais uma rodada de chopes e com isso se inscreverem para eleger a coisa mais chata que todos conheciam.

   Não houve consenso, lógico. Cada um de nós, e já éramos sete contando com o garçom, tinha preferencia de pelo menos três itens para primeiro colocado . Já estava ficando tarde e ninguém queria ir embora.

   Não estávamos fazendo algazarra ou bagunça mas o barulho chamou a atenção do dono do bar (um português boa-praça que adorava uma discussão) e que tão logo pôde veio pessoalmente conferir o que estava acontecendo.

    Leu a lista, deu uma boa gargalhada e sugeriu que acrescentássemos “cliente bêbado”. Evidentemente, por razões óbvias não concordamos e por conta disso, começou uma pequena discussão.

   O dono do bar, teimoso como o quê, puxou uma cadeira, mandou o garçom trazer mais uma rodada de chopes e quis por que quis participar da eleição. Se não aceitamos sua sugestão, pelo menos concordamos que ele deveria contribuir para a escolha da campeã.

   A coisa estava ficando séria e a discussão tão acalorada que a cozinheira, atraída pelo barulho, veio ver do que se tratava. Ao ser informada de tudo, também riu muito mas disse que as sugestões não eram nada, comparadas a que ela poderia acrescentar à lista. E qual era sua sugestão ? “Cheiro de óleo de cozinha queimado !”

   Um dos presentes discordou veementemente, argumentando que óleo de cozinha não queimava (pelo menos ele nunca tinha visto queimar). A cozinheira ficou brava e disse que quem entendia de cozinha era ela e não ele.

   O tema estava tomando uma proporção inesperada e embora a principio fosse algo simples de escolher o que é mais chato no nosso dia-a-dia, não chegávamos a um acordo e a cada momento novas sugestões surgiam.

   Praticamente todas as pessoas que estavam no bar se juntaram a nós e os debates prosseguiram com muita empolgação (é bem verdade que o chope estava contribuindo muito para que surgissem opiniões e discordâncias acaloradas), até que alguém de bom senso e equilíbrio (por coincidência era o que tinha bebido menos) sugeriu que marcássemos novo encontro para o dia seguinte, a mesma hora.

   Todos concordaram, fizemos o último brinde (inclusive com a participação da cozinheira) e cada um foi para suas respectivas casas, com o bar fechando logo em seguida.

   Dia seguinte fui trabalhar, como sempre faço, mas uma coisa estava incomodando. Era a grande dúvida, a pergunta que não queria calar. Qual era a coisa mais chata que eu conhecia ? E olha que não faltaram sugestões (chegamos a quase cem!).

   À noite, conforme combinado, praticamente o mesmo grupo se reuniu no barzinho e começou tudo de novo. Chopes, pastéis, bolinhos de bacalhau e muita , muita discussão.

   Era uma sexta feita e portanto o bar fechou bem mais tarde. Naquela noite fomos para casa cansados, aliviados, muito mais amigos e solidários que antes e planejando outro encontro para iniciar nova discussão para escolha de qualquer coisa que fosse motivo para comemorações.

   E como terminou a eleição ? Qual foi a coisa mais chata escolhida pela maioria ? Foi a .......ressaca.

  A única pessoa que não concordou foi a cozinheira, que insistiu até o último momento que cheiro de óleo queimado era a coisa mais chata que ela conhecia.

 

 

                   *********************




(.....imagem google.....)

WRAMOS
Enviado por WRAMOS em 03/12/2007
Reeditado em 05/01/2013
Código do texto: T763382
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
WRAMOS
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 73 anos
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