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ÍNTIMO E SUPERFICIAL

Os jovens de todos os tempos questionam o comportamento antiquado ao qual são submetidos pelos pais, escolas e alguns estabelecimentos comerciais. A legislação também lhes exige certas posturas, como permissões ou proibições de certos lugares, permanência em outros só com um adulto etc... Podem votar aos 16, mas, não tem carteira de habilitação, ou seja, tem seus pontos de vista a nos confrontar. Parece que a fase do por que, não acaba nunca! Pode se dizer que isso é normal, certo? Não, errado. Um erro não justifica outro, até nessa normalidade encontramos fatores de desequilíbrio social. Há certos caminhos que quando tomados não temos como voltar atrás. Mesmo que o tomemos de um outro ponto de partida, não anula o que já vivemos no passado, tudo permanece registrado em nossa mente.
Raciocinar é muito importante, não se deve aceitar conceitos pré-concebidos sem analisá-los e verificar sua fundamentação. Raciocinar sempre; questionar com bom senso e se rebelar só quando as conseqüências não forem distribuídas no ventilador em todas as direções. Mas não é assim que acontece. Os interesses são sempre individuais, contudo a realização deles precisa de mais de uma pessoa quase sempre. Houve tempo em que os pais eram respeitados apenas pelo olhar, hoje, o último recurso a que são levados a utilizar é: _ Enquanto estiver debaixo do meu teto, comendo da minha comida, tem que me obedecer. Logo, a conclusão em que o jovem chega é que a independência financeira também lhe trará juntamente o poder de tomar decisões, questionar e inclusive de estar sempre com a razão. Afinal,  aprendeu que razão e poder estão diretamente ligados a quem é responsável por pagar as contas. Os lares reúnem todos os dias pais e filhos, pessoas íntimas que convivem superficialmente, exatamente por se conhecerem o suficiente para evitar desagradáveis confrontos, aceitando assim aparentemente a hierarquia que lá é mantida. Até o momento em que puder sair definitivamente de casa.
Se dentro de casa nos iludimos acreditando que tudo segue em harmonia, transferimos essa falsa realidade também para além do perímetro doméstico. Esses mesmos jovens que desempenham seus papéis de bons filhos, bons estudantes ou bons funcionários, quando chega a noite continuam atuando dessa vez como bons partidos. Garotas e rapazes com figurinos impecáveis, ar hollywoodiano, desfilando no tapete vermelho do Prêmio do Oscar a caminho de outros destinos como bares, boates e festas, a procura do seu par ideal, cada qual jogando seu charme e começando na noite mais um duelo psicológico. Não se economizam estratégias para vencer no jogo da sedução. Alguns jogam para ganhar enquanto outros jogam fingindo que estão perdendo.
Durante discursos inflamados de elogios, em meio a músicas, bebidas e a forte concorrência, entre perguntas e respostas todos procuram descobrir qual é o ideal que o outro procura. Olhares sedutores, sorrisos maliciosos, palavras audaciosas, gestos medidos espontaneamente e muitas segundas intenções, vão passando os minutos, horas... Os hormônios exalam um perfume que atrai os corpos, a libido chega ao topo até perceberem, que as horas foram na verdade pouco tempo e apesar disso acreditam saber muito um do outro. Os lábios se aproximam e mãos bobas se escorregam. A noite já é madrugada, a magia continua e o desejo não mais se contém no espaço em que o casal recém formado se encontrou.
Grandes paixões explodem num restrito espaço de uma suíte. Ali toda a intimidade é exposta. Não a vergonha na nudez. Nem timidez nas vontades. Os segredos antes escondidos, agora são revelados no propósito da conquista final. Carinhos, juras, gentilezas. Mas depois do êxtase chega o momento em que é preciso sair do quarto dos sonhos e retornar a realidade. Na despedida promessas de um dia! No ultimo beijo esperança de que esse dia volte acontecer! A incerteza é saber se todos esses íntimos casais que superficialmente se conheceram em uma noite voltaram a se encontrar. Também não se sabe se a paixão que explodiu naquela suíte, abriu as portas para um novo amor, mas com certeza não irá se apagar da lembrança de um desses dois desconhecidos.
GABI BORIN
Enviado por GABI BORIN em 04/12/2007
Código do texto: T763964

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Sobre a autora
GABI BORIN
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 46 anos
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GABI BORIN