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NA PRISÃO, ANJOS OU DEMONIOS? (LCRamos)

                 NA PRISÃO. ANJOS OU DEMONIOS ? (LCRamos)
Eu trabalho em um presidio afastado da Capital, sou Agente Penitenciário, sabado e domingo são dias de visita aos presos.
Em uma determinada sexta feira, eu entrei em serviço as 19:hrs. Na companhia dos meus colegas de plantão.
Lá pelas duas horas da madrugada, fui chamado pelo Agente que fica no Raio 2 para atender um detento que estava pedindo PS (estava passando mal).
Em conversa com o preso, eu soube que ele estava com aids e tomava o tal de coquetel para aidéticos que o governo não deixa faltar aos presos que contrairam essa maldita doença, sabemos que foi quando estavam na rua que foram contaminados, pois bem, quando o cara vem preso, nós providenciamos o pedido, o preso é levado a especialistas e depois recebe o seu medicamento.
Bem diferente das pessoas que estão na rua livres e contraem essa doença, o preço desse remédio é um tanto quanto indigésto, ou seja, carissimo!
Bem! Consultei a relação dos doentes que estavam presos e tomavam esse remédio, tomei as devidas providencias, chamamos o enfermeiro e foram servido ao detento três comprimidos, de tamano fora do comum, de cor alaranjada, o tal de coquetel para aids.
Já medicado o detento se acalmou e voltei para a minha sala na portaria do CDP.
Quarenta minutos depois, fui novamente chamado, desta vez, era um preso que sofria de falta de ar, bronquite, e estava com o quadro de insuficiencia respiratória.
Quando cheguei no raio 6, onde esse cara estava, fui falar com ele, nesse horário (madrugada) não se deve abrir a cela de ninguém, principalmente aquela que continha 60 presos.  Inteirado das condições do individuo, fui a procura do enfermeiro para providenciar algo para ajudar o doente. Fiquei sabendo que não tinhamos nada na Casa, que fosse para esse tipo de doença.
Então, eu passei por cinco portões, sai do presidio, tomei chuva no estacionamento, pisei em uma poça de agua, molhei meus pés, e fui até o meu carro.
Eu, esporadicamente sofre de alergia a mofo, poeira, coisas desse tipo, e para isso eu uso uma bombinha nebulisadora, própria para asma.
Fui revistado, toda vez que se sai do presidio e retorna, a gente é revistado, passa pelo raio-x e etc.
Voltei a cela do detento que estava sem folego, e emprestei a minha bombinha para ele fazer uma nebulização. Poxa, parece que o tal medicamento tirou a falta de ar dele com a mão. Como a bombinha esta pela metade, e ele tinha posto ela na boca várias vezes, e eu sou um cara meio nojento, eu resolvi presentear ele com o remédio.
Custa uns 30,00 reais, estava quase cheio o frasco, e dai? Eu estou na rua, solto, quando eu precisar, vou a farmácia e compro outra. O preso me agradeceu e eu voltei para o meu posto.
Antes disso, assim que iniciamos o plantão, eu tive que ficar na Sub.Portaria do CDP a espera da firma que fornecedora de alimentação, porque o excesso de calor que anda  fazendo estragou a salada que seria servida aos presidiários, então, fizemos um novo pedido e imediatamente o carro proprio para trazer alimentos trouxe a nova salada para reposição.
Depois de um breve cochilo, sentado, amanheceu, fomos providenciar abertura de agua, para o banho dos detentos, soltar um deles (previamente escolhido pela diretoria) para providenciar o café da manhã e fazer nova contagem de presos para poder passar o plantão para o turno que viria nos substituir.
As sete e tal, depois de tudo OK, os postos substituidos, fomos liberados, e quando eu passava com o meu carro, por entre os visitantes que esperavam a hora de adentrar no presidio para a visita de fim de semana, estando com a janela aberta, eu ouvi uma mulher dizer para a outra:---Olha, Vanda, ai vai indo um daqueles demonios que maltratam os coitados dos presos...
Eu pergunto: Não seria bom se todas essas pessoas que nos julgam mal, soubessem na verdade o que fazemos durante um plantão no CDP? Que na verdade, nós os Agentes somos babás de detentos? Que depois que o cara vai preso ele passa a ser vitima e a vitima ou foi pro inférno ou ficou no prejuizo? Fazer o que? Sei lá!!!!!!
                 FIM
Luiz Carlos Ramos
Enviado por Luiz Carlos Ramos em 04/12/2007
Reeditado em 05/04/2008
Código do texto: T764148

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Sobre o autor
Luiz Carlos Ramos
Praia Grande - São Paulo - Brasil, 70 anos
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Luiz Carlos Ramos