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BURACO E "BURACRACIA"

Até o Jamanta, personagem da novela “Belíssima”, já estava careca de saber que o estado da malha asfáltica brasileira era calamitoso, mas o Presidente da República, que só toma conhecimento, como ele próprio declarou, dos fatos que se passam no âmbito do terceiro andar do Palácio, ignorava tal situação. Todavia, honra seja feita ao Presidente, pois tão logo tomou conhecimento dos fatos, determinou imediatas e urgentes providências, baixando ato decretando estado emergencial, o que facilitaria, tão somente por isso, o início da operação tapa-buracos, uma vez que ficava o governo livre da chatice e da burocracia da licitação.
O governo, para tanto, contava com o DNIT – Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes, órgão do Ministério dos Transportes, que detém alto conhecimento tecnológico na arte de construir estradas e tapar buracos.
Acontece, porém, que não é tão fácil começar um projeto de tal envergadura. As peças do Estado se movem obedecendo hierarquia e regulamentos rígidos, embora não se ignore que, no mundo moderno, a “buracracia” vem cedendo lugar à tecnocracia.
O governo, por uma questão de rigidez comportamental, além de respeito à democracia, não põe a mão em buraco estadual ou municipal. Da mesma forma, pelo princípio da reciprocidade, não permite que o governador e o prefeito metam a mão em buraco federal.
Para justificar esse procedimento, o governo alega que foi buscar subsídio numa canção do saudoso Luiz Gonzaga, que advertia que “enfiar a mão no buraco de tatu é muito perigoso, é preciso ter cuidado...”
Além do mais, havia um outro complicador, do ponto de vista ideológico. Sabe-se que há buraco de esquerda, buraco de direita e buraco de centro. Como identificá-los? O DNIT não tinha em seus quadros (hoje já os tem) ideólogos capacitados para tal mister. Então, depois de incontáveis reuniões com excelências que fazem parte do governo, ficou decidida a adoção do seguinte critério, considerando-se o trecho Vitória-Colatina ou Colatina-Vitória: o trecho asfáltico entre Vitória e Colatina, você vai considerar o sentido Colatina-Vitória, porque, pela ordem alfabética, C está antes de V. Este critério será adotado em qualquer situação. Assim, vindo de Colatina, os buracos de esquerda estão à sua esquerda, ou seja, à esquerda do motorista; os de direita, na pista onde você está passando; os de centro, no meio das duas pistas, não necessitando de qualquer critério, já que ele sempre estará no meio, indo ou vindo.
Justifica-se o critério porque, não fosse assim, no sentido Vitória-Colatina os buracos de esquerda na ida, seriam os buracos de direita na volta. Percebeu ?
Outro complicador digno de registro: o governo, que tem ojeriza a tudo que é de direita, não quer dar “colher de chá” à oposição, razão por que não tapa os buracos de direita e de centro. Mas se tapar os buracos de esquerda a oposição vai botar a boca no trombone e dizer que o governo está fazendo obra eleitoreira.
Por tais razões e levando-se em consideração que os buracos, embora estejam um pouco maiores e mais profundos, a verdade é que eles nasceram no governo anterior e pelos quais este governo não tem qualquer responsabilidade.
PT final.
levy pereira de menezes
Enviado por levy pereira de menezes em 04/12/2007
Código do texto: T765021
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Sobre o autor
levy pereira de menezes
Vitória - Espírito Santo - Brasil, 82 anos
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