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No Brasil, o crime compensa

                  No Brasil, o crime compensa


“Uma vez que não se executa logo a sentença contra quem praticou o mal, o coração dos filhos dos homens está sempre voltado para a prática do mal” Eclesiastes 8, 11.


No Brasil não é só a má distribuição de renda, a falta de educação, ou a escassez de emprego que estimulam e alimentam a violência e o crime. Um fator pouco comentado que motiva o crime é a impunidade.
É como se uma parcela do executivo, mesmo que de um modo velado e sem culpa, disesse ao legislativo e vice-versa: o crime compensa. Quem já não ouviu o ditado: acender uma vela pra Deus outra pro diabo. Seria isso eficaz? Uma coisa não anularia a outra?
O mau exemplo dos nossos dirigentes deixa o povo confuso e dividido entre Deus e o diabo, entre o bem e o mal, entre a retidão e o crime... Ainda se nós pudéssemos trocar de partido como os políticos fazem sem detrimento algum...
O povo fica sem referências em matéria de ética e moral, não sabendo mais o que vale a pena. A pena da constituição é vilipendiada, a pena do código civil é abrandada e a pena dos sentenciados é uma piada. Fernadinho beira-mar não trabalha e passeia mais que eu. O Lula também...
A impunidade gera a corrupção; e a corrupção, como prostituta que se vende, contaminou com seus DSTs (doenças sistemáticas tradicionais) quase todas as instituições. DST nesse contexto também poderia significar: Descaso Sobre os Trabalhadores, Dominação Sobre Todos, Deturpação do Sistema Trabalhista. Podemos nomear os filhos bastardos da corrupção: Mensalão, Sanguessuga, e muitos outros...
E a incoerência que os fatos revelam? Pois os ricos estão acima da Lei. Há algum tempo ocorreu um fato: um pai de família foi preso durante três meses por crime ambiental, pois havia matado um beija-flor. E pessoas gananciosas destruindo e privatizando a floresta Amazônica ficam livres? Ele não deveria ter matado o beija-flor, é evidente; entretanto, a família ficou passando penúria durante o tempo em que o pai, que era o arrimo da família, ficou preso. Acaso, o ser humano, três ou quatro deles, uma família, vale menos que um beija-flor? E os milhares de seres vivos que são mortos com a derrubada da floresta? Aí pode? Na minha opinião a Floresta Amazônica é um patrimônio nacional a ser preservado. Ninguém pode vender o que não é seu, ou vender o que é de todos.
É consenso que não se deve privatizar setor estratégico. Será que os nossos governantes ainda não perceberam que os ecos-sistema são os setores estratégicos, por excelência, deste século?
Por estas e outras tantas razões, os costumes do povo ficam contaminados pela incoerência de um sistema criminoso que tem o desplante de dizer que o crime não compensa.

Evandro Gastaldo
Enviado por Evandro Gastaldo em 05/12/2007
Código do texto: T766102

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Sobre o autor
Evandro Gastaldo
Cerquilho - São Paulo - Brasil, 46 anos
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