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A prova do crime

              André era daquele tipo excepcionalmente vulnerável ao charme feminino. Em casa, um primor : marido carinhoso, pai cuidadoso. Não fosse aquela compulsão por rabos-de-saia, seria fortíssimo candidato a Homem do Ano.

             Marcela, a esposa, passava o mês de julho com os dois filhos do casal na casa que alugavam em frente à represa de Furnas. Todo sábado antes das sete, o ritual era sagrado: André passava na casa da sogra e os dois percorriam os duzentos quilômetros da Fernão Dias para encontrar o restante da família. Na segunda bem cedinho, juntos refaziam o caminho de volta.

            Ocorreu que na última sexta-feira, André havia protagonizado um dos seus encontros amorosos mais calientes. Animado e bem-disposto, ele e a sogra seguiam felizes rumo à represa. No meio do caminho, o susto: André percebeu o sapato perdido no chão do carro. Suando frio, imaginou que a louca da Margô tivesse esquecido o sapato ali, na noite anterior...

             André precisava dar um jeito naquilo. Mas nada da sogra dormir: feliz e lampeira, ela contava as peripécias da sua turma de biriba. Até que ele teve uma inspiração divina:

              - D. Alda, comprei essa semana esse CD da Enya pensando na senhora. Escuta só essa maravilha de música, tranquila, transcendental, boa para suas aulas de ioga...

               Em pouco tempo, dona Alda ressonava, deixando espaço para a manobra do rapaz. Rapidamente, ele pegou o pé de sapato e atirou pela janela. Aliviado, sorriu e se congratulou intimamente pelo jogo de cintura e presença de espírito.

                Daí a pouco chegaram na casa da represa. E nada de D. Alda descer do carro : onde, diabos, se enfiou um pé do seu sapato?! André havia jogado fora o sapato da sogra....

                 Na maior cara-de-pau, tratada com lustra-móveis ultra-brilho , André ainda comentou:

   - A senhora tem certeza que veio com os dois pés de sapato, d. Alda? Pra te dizer a verdade, eu não estou lembrando da senhora ter entrado no carro com eles...




                 A história é real, parte do folclore da minha família. Só me dei ao trabalho de modificar detalhes mais comprometedores.
                 Marcela acabou encontrando um marido fiel e André finalmente compreendeu que não tinha vocação para os votos monogâmicos do casamento. Ambos são muito mais felizes hoje.
 
Maria Paula Alvim
Enviado por Maria Paula Alvim em 05/12/2007
Reeditado em 26/05/2008
Código do texto: T766218

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Sobre a autora
Maria Paula Alvim
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Maria Paula Alvim