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PARA QUE SERVEM OS SERES HUMANOS?

É madrugada, sou morador de rua, fico aqui junto às calçadas vendo o movimento que passa em minha casa, hoje ninguém veio me expulsar, então posso dormir em paz, ou melhor, quando aquele homem que está ali for embora.
Vou ficar deitado, mas olhando o que faz, assim descubro seu interesse em estar ali. Ele estar vestindo uma roupa preta usa um chapéu, também preto, tentando se camuflar em meio à escuridão, pensa que pode passar despercebido diante os olhos de sombras como eu.
Estamos em um lugar que durante o dia estar sempre cheio de gente passando por todos os lados, sem olhar direito para os que estão ao seu lado. Para eles não faz diferença mesmo. Bem ali, perto do estacionamento da grande loja, que já estar fechada, o homem encontra-se encostado numa árvore.
Colocando sua mão no bolso esquerdo parece que vai pegar algo, mexendo no interior do bolso, tira algo pequeno, não pude identificar, ainda, com a mão, ele segura firme o objeto, agora posso ver o que é um pequeno embrulho de papel.
Por ali passam carros com frequência, todos em alta velocidade, nem o semáforo é respeitado, quando estar com a luz vermelha, parece que a ordem é acelerar.
Acelera... Vai... Vai...
Um carro, porém, não vem em alta velocidade, este vem parando até chegar à frente o homem. O carro é totalmente preto e seus vidros escuros não deixam ver no interior quem estar dentro dele.
Por alguns instantes, não há movimento naquele local. Mas logo vejo que a janela se abre e o homem de preto se aproxima e entrega o embrulho de papel ao motorista, que pega e o guarda com agilidade.
O carro parte e gradativamente aumenta sua velocidade. O homem volta para o tronco da árvore, encosta e acende um cigarro. Percebo que se aproxima mais um carro em alta velocidade, porém, este estava com a janela aberta, o homem nem da atenção a aquele carro, mas nele vem um atirador que sem piedade, dispara contra o homem que fumava, foram três tiros, todos acertaram o homem, que caiu no chão já morto. O carro passa e deixa cair um papel.
Após algum tempo aparecem pessoas e levam o corpo. Quando já esta quase para amanhecer, pego aquele papel, que apresenta os escritos: “Sua vida vale sua inutilidade em lidar com pessoas que só querem teu serviço enquanto te tem como utilidade”.
Agora entendo, servimos para sermos controladores e descartadores ou sermos alienados e descartados.
Hênio Delfino
Enviado por Hênio Delfino em 06/12/2007
Reeditado em 24/06/2012
Código do texto: T767522

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Sobre o autor
Hênio Delfino
Planaltina - Distrito Federal - Brasil
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Hênio Delfino