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                Um Príncipe fujão na Bahia

        Com medo de Napoleão Bonaparte, que ameaçava invadir Portugal, a família real portuguesa fugiu para o Brasil, a principal e mais rentável colônia lusa
        D. João, o Príncipe Regente, e sua corte deixaram Lisboa na manhã de 29 de novembro de 1807.

        Na fuga, a corte lusitana usou dois frágeis navios. A bordo da nau Príncipe Regente viajaram D. João, os herdeiros do trono, Pedro e Miguel, e Dona Maria I, a rainha louca, mão do Príncipe; a bordo da nau Alfonso de Albuquerque, a princesa Carlota Joaquina de Bourbon e Bragança  - já separada de D. João - e quatro das seis filhas do casal.

        Quando a gente toma conhecimento de alguns detalhes da viagem da família real portuguesa, a gente fica com muita pena dos ilustres nobres da Casa de Bragança.
        Para se ter idéia de como transcorreu a complicada travessia,  transcrevo, a seguir, pequenos trechos tirados de um excelente livro que conta como se deu a mudança da corte para o Brasil. Sobre esse livro, falarei mais adiante.

        Sobre as naus que trouxeram a comitiva real para o Brasil, no livro, consta o seguinte: - "Desenhados para impedir a infiltração da água do mar e sobrevier à violentas tempestades oceânica, os navios portugueses eram, duzentos anos atrás, cápsulas de madeira hermeticamente lacradas."
         "Durante o dia, sob o sol equatorial, se transformavam em autênticas saunas flutuantes".        
         "Não havia água corrente nem banheiros".
         "Para fazer as necessidades fisiológicas usavam-se as cloacas, plataformas amarradas à proa, suspensas sobre a amurada dos navios, por onde os dejetos eram lançados ao mar."

        Sobre a dieta a bordo: ... "biscoitos. lentilhas, azeite, repolho azedo e carne salgada de porco ou bacalhau. No calor sufocante das zonas tropicais, ratos, baratas e carunchos infestavam os depósitos de mantimentos. A água apodrecia logo, contaminada por bactérias e fungos." 
        Que sufoco, hein?

        Mais, muito mais saberá o leitor, quando se dispuser - e o faça logo - a ler o formidável e corajoso livro intitulado 1808 - Como uma raínha louca, um principe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil, do jornalista paranaense Laurentino Gomes.

        Um livro que, neste Natal, pode, perfeitamente, ser o presente do seu "amigo secreto", dileto leitor. Todo brasileiro se interessa em conhecer a verdadeira história de D.João VI e de sua família em nosso país. Fica a sugestão.

        Com suas 414 páginas, um comentário aprofundado sobre esse extraordinário livro na cabe numa pequena crônica. 
        Por isso, como baiano de coração - sou do Ceará, mas moro em Salvador há quase cinquent´anos -  contento-me em fazer uma breve referência à passagem do Príncipe Regente pela Bahia, firmado no que sobre este assunto diz o livro 1808,  em longo e minucioso capítulo.

        De início, essas duas perguntas foram feitas: a escala da comitiva real na Bahia  deu-se por acaso? Ou foi previamente programada pelo Príncipe Regente? 
        Para uns, a nau do soberano aportou na Bahia trazida por violenta tempestade, o que mais tarde ficou comprovado que tal não aconteceu.
        Para outros, e esta a tese vitoriosa, razões de natureza política e econômica teria trazido D. João à Bahia, antes de instalar seu reinado no Rio de Janeiro. 

        Reforçando essa tese, o jornalista Laurentino Lopes lembra que a Bahia, ainda inconformada com a perda da condição de capital da colônia, ensaiava sublevações.  E o Principe, que, no meu entender, podia ser medroso, mas não era bobo, precisava dos baianos para consolidar a unidade nacional.

        Depois de desembarcar em Salvador,  e receber, na hoje Praça Castro Alves, as homenagens dos soteropolitanos, o Principe, numa demonstração de  apreço pela terra de Ruy Barbosa - prossegue o livro - D João praticou dois atos da maior importância: criou a primeira escola de Medicina do Brasil e  assinou "a carta régia de abertura dos portos ao comércio de todas as nações amigas". 
        Por último - para gáudio, diria, do meu amigo João Ubaldo Ribeiro -, visitou a paradisíaca ilha de Itaparica, a mais importante estância hidromineral da Bahia.

        Para descontrair, e finalizar esta página de tão pouca significância, reescrevo o texto do livro que fala das damas da corte chegando ao Rio de Janeiro com suas "cabeças rapadas ou cabelos curtos" devidamente protegidas por turbantes!

        Desembarcaram assim, destaca o jornalista Laurentino, "devido à infestação de piolhos que havia assolado os navios durante a viagem".

        As cariocas, vendo as princesas daquele jeito, "acharam que aquela seria a última moda na Europa". E, arremata o autor de 1808, ... "quase todas elas passaram a cortar os cabelos  e a usar turbantes, para imitar as nobres portuguesas".

        Vanitas vanitatum, et ominia vanitas!   Não seria o caso de se repetir esta  frase do Eclesiastes?

Nota - Foto de Dona Carlota, que, segundo se comenta, era uma madrilenha muito feia...
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 07/12/2007
Reeditado em 12/02/2008
Código do texto: T768812
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Sobre o autor
Felipe Jucá
Salvador - Bahia - Brasil
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Felipe Jucá

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