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AS CORES DO SILÊNCIO

               Diz o ditado: a palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro. Fala por si só, tem linguagem própria, basta interpretá-lo e decifrar sua mensagem. É uma forma de protesto, de reagir contra as vicissitudes da vida, de desafiar a palavra com a observação. Não é exclusivamente uma forma de omissão, pois pode significar uma manifestação de oposição. Quem cala nem sempre consente. O silêncio crítico fala. Intriga, mas não fere. Ilumina, mas não queima. É regido por símbolos enigmáticos e por leis muito próprias.

               O silêncio é também o do conformismo e da falta de esperança. É mãe sem leite e nem mel que abraça o filho doente. É linguagem do amor que transcende à da palavra. O silêncio cristaliza mudas dores pela falta de referencial. É voz tão audível, muito além das palavras.

               A inspiração do artista é momento contemplativo único. Revoada de pássaros noturnos. Um código secreto.A palavra não dita, expressa no papel, nas tintas do pintor, na dança do vaga-lume tem a linguagem do encantamento. O maestro comanda a orquestra com a batuta na mão. Um raro momento de encontro do homem com o Criador.

              O valor do silêncio é comparável ao ouro. Jóia preciosa. As palavras vulgarizam as emoções, pois são desnecessárias diante  da força dos quatro elementos. Os olhos falam a linguagem do coração, expressam a grandeza do sentimento. Metal finamente lapidado à luz dos sentidos.

              A voz do silêncio sentida nos lábios de quem não fala. Nos olhos daqueles que muitos sentem. Na esperança dos que tanto crêem e não desistem da luta pela vida. É canto calado dos justos, homens de boa vontade, guiados pela fé peregrina.

             E assim são as cores do silêncio, vozes de tempos  mudos que passam e desafiam o valor menor da palavra. O som e o grito perdem-se na fugacidade do vento, mas o silêncio permanece no caminho do crescimento e na força da oração.
                                                                                       

pássaro poeta
Enviado por pássaro poeta em 29/11/2005
Código do texto: T78650

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Sobre o autor
pássaro poeta
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil
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