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"Emoções"_*Momentos*_

Emoções
 
Momentos
Nossos momentos
"Momentos são iguais àqueles
Em que eu te amei
Palavras são iguais àquelas
Que eu te dediquei
Eu escrevi na fria areia
Um nome para amar
O mar chegou, tudo apagou
Palavras leva o mar

Teu coração praia distante
Em meu perdido olhar
Teu coração, mais inconstate
Que a incerteza do mar
Meu castelo de carinhos
Eu nem pude terminar
Momentos meus que foram teus
Agora é recordar"...
(Haroldo Barbosa e Luiz Reis)
 MPB
 
         Há tantos momentos na nossa vida inteira, que é difícil mesmo lembrarmos de todos. Seriam momentos de alegria? Seriam de tristeza? Seriam de amor ou de abandono? Seriam os que guardaríamos com carinho? Ah! Seriam uma quantidade deles que ficariamos sem  saber qual o melhor, ou o mais especial. São nuvens passageiras, são recordações ligeiras que se fixam nesse instante...
         Adoro momentos, porque são rápidos e me emocionam sobremaneira, porque estão dizendo tanta coisa, estão nos fazendo vibrar em repetidas emoções, de ternura, de prazer. de felicidade ou, também de tristeza, porque são a vida que nos destinaram viver...
          São flashes, são poeira, mas são a nossa vida inteira a vibrar nos caminhos e descaminhos.
          Quantos momentos vivenciamos, instantes  que  se perpetuaram nos fazendo lembrá-los a ponto de se qualificarem como momentos de puras recordações dentro do nosso ser. A variedade deles, suas formas, suas desinências, seus estertores ainda que tenham sido cruéis, deixaram marcas nos nossos sentimentos, nos nossos corações.
          Naqueles de felicidade, as vêzes nem percebemos que estamos sendo presenteados com  candura, com  lufadas de acontecimentos maravilhosos. As vêzes nem notamos, nem percebemos como estávamos sendo felizes com a irradiação de benfazejas ocasiões das prendas recebidas. São e serão nossas noções de carinho. amparo de realizações que, de tão ansiados, nos deleitamos sem dar sentido, atenção às glórias inerentes a ele.
          Brindemos sempre os "nossos momentos", tão nossos, irremediavelmente nossos que não queremos divulgá-los a ninguém, nem desejamos que tomem conhecimento das nossas passantes e incríveis situações de enlevos próprios e sagazes nos conteúdos que nos alucinam,vez por outra.
          Momentos de carinho da pessoa amada, amores desajuizados, fraquezas enxovalhadas, mas são nossos instantes, só nossos, que só a nós dizem respeito e aceitação.  Nossos momentos, nossos instantes em que recolhemos os remos, deixando a embarcação solta, à deriva de tudo e de todos, sem a âncora  dos  proibidos, dos preconceitos, dos temidos jargões dessa sociedade hipócrita e maledicente.
          Há também os momentos dos "adeus", dos "até logo",  dos "breve retornarei para recomeçarmos tudo novamente". Os olhos, marejados de lágrimas, espumando dor, desespero e tristeza, sofrem calados na sublime maneira de reação, com a elegância dos sentimentos que nos acolhem e perpetuam-se na seriedade desses instantes, também só nossos, escondidamente nossos...
          E aqueles furtivos, sorrateiros, irresponsáveis de extrema vadiagem na preguiça de nossos nada fazer, dos deixa pra lá, dos deixa a vida nos levar? São os  que mais vemos atualmente, sem sabor, sem valor, sem coisíssima alguma que dê relêvo às situações existentes.
          Sempre digo e repito incessantemente que devemos nos reservar aos momentos de inteira integração nossa, particularmente aqueles escondidos nos vácuos da nossa intimidade, sem limites, sem porquês, sem  desprezos, sem dó nem piedade. É a nossa intimidade, nossos calares, nossos sofreres, nossos gozares sem ter que dar satisfações a ninguém, sem sofrermos represálias de ditames frios e desnudos de emoções...
          Que bom, nossos momentos!!  Ladinos!! Particulares!! Ansiosos!! Dementes!!!
           Dói ter que repartí-los, que dividí-los com plebes rudes  que nos cercam, que nos magoam  e que tanto nos maltratam se  vangloriando das qualidades que não possuem, somente para, no escárnio das suas vilezas, se promoverem ao destruir seus semelhantes. Hoje estou austera demais, muito mesmo, mas é a realidade nua e crua dessas verdades.
          Voltemos ao candor dos "nossos momentos", de paz inenarrável, de carinhos estonteantes e vibrantes nas suas raizes de amor, compreensão e sinceridade de espírito, na placidez de anjos e santos encarnados e desencarnados...
          Aprendamos, de uma vez por todas, a amar nossos momentos, nossos instantes, só nossos, de mais ninguém, para não termos o dissabor de, nas mentiras que tenhamos que dar, não nos desrespeitemos em metamorfoses compostas de inverdades estudadas e sofridas.
          Deus, Misericordioso e Bom, que nos fez à sua própria imagem, nos ampare , perdoe nossos erros, nossas lamentações, nossos gritos de revolta nos momentos de ímpar degenerescência de sentimentos e virtudes para podermos nos comunicar com Êle e viver à Sua Sombra...
 
Maria Myriam Freire Peres
Rio de Janeiro, 05 de dezembro de 2005
Myriam Peres
Enviado por Myriam Peres em 05/12/2005
Código do texto: T81224
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Sobre a autora
Myriam Peres
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 86 anos
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5 e-livros (275 leituras)
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Myriam Peres