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Cúmplice de nossas vontades e amizades

Em determinado momentos nossos amigos nos colocam em constrangimentos. Quem já não passou por isto,  de ser pego de calça curta por um amigo?

Tenho um grande amigo que é pastor, uma pessoa excelente e que tem uma desenvoltura em tudo que fala. Já tive oportunidade de viajar com ele em um encontro de três dias onde dividimos o alojamento. Nestes dias passamos horas e horas em bate papos saudáveis – excluindo o momento que ele procurou-me converter para sua religião.

Uma pessoa extremamente amiga, companheira  e inteligente e que tem na fala seu maior Dom.

Pois bem, em minha paroquia sou responsável para em determinado dia participar como animador  nas celebrações da esperança ( exéquias). Sou o responsável de fazer parte do ritual inclusive a reflexão após a leitura do evangelho. Meus companheiros de celebração tem dificuldades em dirigir a assembléia espontaneamente, sobrando a mim esta difícil tarefa de promover o consolo, a esperança aos familiares naquele momento de profunda dor que é a separação física para sempre de um ente querido. Aproveito também para exortar as pessoas as refletir seu estado de vida.

Sou uma pessoa que preza muito pelo ecumenismo e acredito que Deus é um Deus de todos que não faz acepção de pessoas. Todos somos amados de forma igual e devemos diminuir a distancia entre nós. Podemos caminhar por estradas diferentes mas certamente no final dela nos encontraremos. Desta forma não gosto de perder a oportunidade de aproveitar os momentos de dar minha contribuição para que estas diferenças diminuem.

Certa vez, estava para fazer uma celebração da esperança quando chegando lá encontrei este amigo pastor. Chamei meu colega que faria comigo a celebração e sugeri que déssemos a palavra para que o pastor fizesse a reflexão. Ele aceitou a idéia.

Como era algo diferente o publico presente estava atento a reflexão do pastor, e a família do finado todos presente esposa e quatro filhos

Fizemos o ritual católico, quando terminou o evangelho, apresentei o pastou  e ele iniciou sua fala, de maneira tranqüila e sensata. Em  sua reflexão dizia que cada um de nós temos nossos projetos, mas que não sabemos a hora de Deus, então sempre devemos estar preparados espiritualmente. Temos um manual que é a bíblia e que dela jamais podemos abrir mão.

De repente começou a refletir que Deus conhece o mais profundo de nosso Ser, nada é oculto diante aos olhos Dele e fez referencia sobre a vida e os sentimentos do finado. Dizendo que o Sr. Onofre, 67 ( finado), carregava dentro dele um sentimento desde sua juventude, o qual era uma amor por uma moça.

Naquele momento me senti totalmente desconcertado olhando para o rosto de sua esposa que mantinha de cabeça baixa e dei uma passada de olhos nos presente, me colocando na situação daquela mulher e de seus filhos.
Me senti tão pequeno que queria esconder dentro de minha roupa. Entendi perfeitamente qual era o sentido de tal reflexão, mas uma hora totalmente inapropriada. Uma frase infeliz dita na hora errada e para um publico errado.

Mas sempre aprendemos com tudo, e mais um. O improviso é um jogo escuro, não dá para  saber o resultado; a amizade nos coloca certos momentos em constrangimentos; jamais podemos misturar o profissionalismo, a coordenancia de determinados assuntos por amizades. Não é que o coordenador deva ser autoritário, mas deva manter seu lugar de isonomia para que não acaba sendo cúmplice de seus próprios amigos.
Ataíde Lemos
Enviado por Ataíde Lemos em 07/12/2005
Código do texto: T81985
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Sobre o autor
Ataíde Lemos
Ouro Fino - Minas Gerais - Brasil, 51 anos
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Ataíde Lemos

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