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A DIFÍCIL VIDA DE SER ÍDOLO.

É muito engraçado essa vida. São tantos percalços atribulando a mente, o bolso, o dia seguinte, que pouco nos sobra para ver aquilo que se conquista. Pensamentos pequenos atribulam ainda mais o nosso cotidiano como a fome, a miséria, a guerra declarada lá fora, a guerra não declarada aqui dentro, o mal uso do dinheiro público, da empresa pública, do homem público, e do próprio público também.
Quando alguém conquista alguma coisa é tachado de sortudo, de “assim com os homens”, de “comprado”, entre outras coisas. Tudo é mimetizado num rápido lance, para que outros possam ir empurrando esse carrinho que se chama sobreviver.
Lá fora, qualquer record pequininho já é motivo de louvação, de sêlo comemorativo, medalha de honra ao mérito, milhares de chamadas na TV, capa de todos os jornais e revistas, etc, etc, etc.
Para pegar um exemplozinho lá dos ianques, um jogador acima da média de beisebol, lá dos anos 40, 30, até antes, vira card especial, tema de música, filmes, quadro, edições especiais e são idolatrados até hoje.
Aqui, o sujeito faz 1.300 e tantos gols, é tachado de ídolo maior (na verdade só deveriamos chamar de “ELE”, como fazia um loucutor das antigas), mas tem-se que levar em conta que foi ovacionado nos quatro cantos do mundo. Sim, “ELE” foi maravilhoso.
Assim como outros que foram campeões, bi-campeões, tri-campeões, até aqueles do tetra. Sem contar os medalhistas, que em sua maioria, gramaram o pão que o “cujo” amassou para atingir um maldito índice, para poder participar as duras penas de uma olimpíada e ganhar uma medalha.
Agora o sujeito faz quase 47.000 pontos de basket, e vem um monte de gente
dizer “contagem não “oficial”, não isso, não aquilo. Desculpe a expressão, mas que porra esses caras tem na cabeça. Sabe-se lá como é difícil fazer essa
“porra” de cesta. Em qualquer lugar do mundo, estaria todo mundo procurando tudo quanto que é recorte de jornal, revista, súmula, vídeo e o cacete, só para confimar, até com mais propriedade, o puta recorde que o Oscar fez.
Pense bem, quantos jogadores de futebol fizeram mil gols? Resposta: nenhum.
Quantos fizeram 900? Resposta: 1, 2, 3, ou nenhum. Quantos fizeram 800? Ou 700? 600 e alguma coisa tem, o Pepe, o Romário parece que está perto, o Zico também chegou perto e mais alguns outros por aí. E uma infinidade de outros com marcas também significativas.
Lá na NBA, todo mundo é ovacionado quando chega a um recorde. Maior isso, maior aquilo, assistências, tocos, arremesso livre, de 2 pontos, de 3, roubadas de bola, maior número de pontos em play-offs, etc, etc, etc,etc. A FIFA premia os melhores jogadores do ano, da década, do século, artilheiros, treinadores, etc, etc, etc.
Por que aqui também não ovacionamos o Oscar? A par de ser um sujeito
extremamente simpático, é uma lenda viva. O cara disputou apenas 5
olimpíadas, apenas. É o maior pontuador em olimpíadas. Por que ficar com essa babaquice, por falta de tirar a bunda da cadeira e correr atrás de mais informações e fazer com que esse recorde, que até o fim do ano, quando ele infelizmente encerrar a carreira, pode chegar aos 47.000 pontos, e comprovar para quem quiser ver.
O Piquet falou na edição de ontem sobre o número de vitórias nos diversos campeonatos  de automobilismo que contaram com a presença de brasileiros. Se formos analisar, isso também é recorde. Ninguém ganhou  tanto. Somos campeões em tanta coisa e valorizamos tão mal isso. Está na hora de pararmos com esse maldito baixo-astral, esse nivelar por baixo que vem corroendo todo o país. Chega de miséria. Está mais do que na hora de mostrar que somos potência, por mais que todos os outros lá de fora queiram nos colocar na linha da pobreza. Está cheio de profissionais da medicina de diversos lugares do mundo que vem aqui para o Brasil, fazer reciclagem. Nos temos profissionais da informática que estão sendo contratados lá fora
pela sua capacidade de encontrar soluções. Nos produzimos uma quantidade absurda de alimentos, de manufaturados, de bens de consumo, de roupas, sapatos.
Mas, infelizmente, tratamos muito mal nossos ídolos.

Publicado também na AVBL - Academia Virtual Brasileira de Letras
Peixão
Enviado por Peixão em 28/03/2005
Reeditado em 11/04/2015
Código do texto: T8345
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Peixão
Santo André - São Paulo - Brasil, 56 anos
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