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Esses homens primitivos e suas brincadeiras perigosas


Há milênios o homem é fascinado pelo fogo. De início, com temor, tratava-o como força do mal ou como deus. Para um ser primitivo, pouco diferente dos outros animais, aquela luz que emanava das florestas ou relvas, sem explicação, estava além de toda inteligência de que podia dispor.
Um acaso, talvez, fê-lo tirar proveito daquela força descomunal que o intimidava e fascinava. Não tinha controle sobre o início, a propagação ou o fim daquela simples reação físico-química em cadeia. Para aquele ser rude, pouco importava quando, como ou por que ele aparecia. Importava tirar proveito, como ser oportunista que era àquela fase da nossa evolução. E ainda o é.
O controle do fogo foi um passo importantíssimo para a sua sobrevivência. E o progresso das civilizações primitivas esteve ligado ao fogo, tanto quanto à roda e à agricultura.
Hoje, quando o homem não olha mais para o céu apenas para adorar o seu deus sol ou para temer o fogo que dele possa cair, quando outras reações em cadeia, mais poderosas que o fogo, podem salvá-lo ou aniquilá-lo, ei-lo feliz, primitivamente feliz, ao fazer subir bolas de fogo ao céu, tentando inverter e subverter a ordem das coisas.
Lindo, o fogo o fascina, absorve-o, e o faz esquecer que, passados milênios, ainda é o mesmo, tem a mesma força, ainda o deixa impotente. Por um momento, ele se esquece de que o fogo que ele faz subir desce, implacável, para desespero de outros.
Paulo Camelo
Enviado por Paulo Camelo em 28/03/2005
Reeditado em 09/06/2011
Código do texto: T8386
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Paulo Camelo
Recife - Pernambuco - Brasil, 68 anos
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