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            De biquíni...
                 em cartões-postais


        Quando eu comecei a freqüentar as belas praias cearenses, as mulheres de  Fortaleza só usavam maiô.
Nada de biquínis. Mas isso foi no início da década de 50; no século passado.

         Recém-saído do seminário seráfico, dono, portanto, de um invejável vigor físico, ao topar com jovens semi-nuas em plena luz do dia, entrava em indisfarçável êxtase. 
         Passara a infância, e parte da mocidade, convivendo com piedosas e recatadas freiras, naquele tempo, literalmente embrulhadas: via-se-lhes, apenas, as mãos e o rosto. Das irmãs contemplativas - as Clarissas, por exemplo -, nem isso!

        Aí apareceram os primeiros concursos de misses. E com eles, o maiô Catalina, uma sensação. 
        Ainda me recordo da eleição da baiana Marta Rocha, miss Brasil 1954, com suas duas polegadas a mais; e da eleição da angelical Emília Corrêa Lima, miss Brasil 1955, cearense, minha querida conterrânea.

         O tempo andou rápido; o tempo mudou. E, de repente, nossas praias viraram imensas passarelas, recebendo lindas e feias mulheres, praticamente nuas: o biquíni desembarcava, botando pra quebrar.  Duas peças cobrindo o essencial... e nada mais. 

          O biquíni - " A invenção mais importante do século (XX), depois da bomba atômica", disse-o dona Diana Vreeland, famosa editora de moda.  Concordo. E salve o biquííííni! Que esteja em bom lugar o estilista francês Louis Réard, morto em 1984, seu inventor.
         Com o passar dos anos, o biquíni foi diminuindo de tamanho. E já faz algum tempo que só cobre o "essencialíssimo".

         Indiferente à sua lindeza, houve um Presidente da República que não hesitou em proibir o seu uso nas passarelas do Brasil.  Para vetá-lo, o Presiedente Janio Quadros alegou que a moral e os bons costumes deveriam ser preservados.
        
         À época, em crônicas que andei publicando, chamei de antipático e hipócrita o decreto janista. Jânio, em boa hora, abandonou o Governo, e o biquíni voltou às passarelas com todo o seu charme, e muito mais sensual.

         Agora - pasmem! - uma deputada fluminense quer proibir a circulação de cartões-postais que mostrem jovens cariocas, de biquíni; exibindo seus eloqüentes bumbuns.  Esses cartões estariam estimulando o turismo sexual, argüiu a desligada parlamentar, ao defender seu projeto.

          Não. Não são esses cartões-postais, trazendo meninas com seus glúteos à vista, que botam as garotas de Ipanema, do Leblon, da Barra da Tijuca, e do subúrbio carioca, nos braços e na cama de turistas peraltas. 
           A miséria, o desemprego a ignorância, isso sim, as tornam presas fáceis de sujeitos incontidos e insaciáveis em seus apetites sexuais. 

          Os fascinantes bumbuns das meninas do Rio, em exposição nas ensolaradas praias guanabarinas, magistralmente protegidos por atraentes biquínis, são uma atração turística.   Atração como é o morro Dois Irmãos, comparado pelo escritor Ruy Castro, in Carnaval no fogo, a um par de seios.

         Que ganhem o mundo os cartões-postais com as carioquinhas de biquíni. 
          Tenho certeza que o Cristo não se envergonha de suas filhas... Do alto do Corcovado, Ele estará sempre a protegê-las e abençoá-las.
          O Redentor sabe muito bem que elas encantam a todos, turistas ou não, quando, faceiras, desfilam quase em traje de Eva...
 
Felipe Jucá
Enviado por Felipe Jucá em 12/12/2005
Reeditado em 27/02/2008
Código do texto: T85006
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Sobre o autor
Felipe Jucá
Salvador - Bahia - Brasil
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Felipe Jucá

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