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            TE CONHEÇO???                          

                                                                        
“Guarda'stu mare ca' 
                                                        ce'n funno 'e paura 
                                                        Sta cercanno 'e ce 'mparà... 
                                                        Ah, Comme se fa 
                                                        a dda' 'e turmiente all'anema 
                                                        Ca' vo' vulà 
                                                       Si' tu num scinne 'n funno
                                                       nun 'o può sapè...                          
(da canção napolitana Cu’mme, gravada por Zizi Possi, lindamente)”


                     Se para quem entende italiano, isso já é um idioma alienígena, então vai lá a tradução,que pelo menos vai dar uma pista de onde quero chegar: ‘Olha este mar que guarda no fundo os medos está tentando nos ensinar. Ah! Como se faz, para libertar dos tormentos, uma alma que quer voar? Se você não descer fundo nunca vai saber...”.
Sei que é tempo de Natal e todo mundo só fala, pensa e escreve sobre o assunto. Tempo de desejar milhares de coisas (mesmo que sejam apenas palavras na maioria das vezes) etecetera e tal. Acontece que sempre fui um perfeito desastre em escrever cartões de Natal do mesmo jeito que não vou a velório porque não sei dizer o famoso “meus pêsames”, que ao fim e ao cabo não servem para absolutamente nada. Resta apenas deixar aqui o que, de fato posso desejar. Pra quem? Ora, pombas! Pra mim e pra quem estiver lendo, claro.
                Desejo que você encontre o que não procura. Aquele negócio que chama-se você mesmo. Aquele estranho, aquele desconhecido que tem o poder de fazer estas asas que você não sabe onde ficam funcionarem de verdade. Que encontrando o que nunca procurou, você, finalmente, descubra de quem é aquela cara que não aparece no espelho, mas que todo mundo enxerga, menos você.
              Desejo que, olhando o mar, como estou agora, você saia da cômoda condição de veleiro flutuando sobre as águas e desça fundo, como na canção. De outra forma, você continuará sem saber. Dá medo? Imagina! Claro que dá. E um medo dos diabos. Mas sem enfrentar o teu inimigo íntimo, jamais você conhecerá o seu melhor amigo, esperando ali pra ser chamado à ação.
              Desejo que, tendo chegado ao ponto mais fundo, mais escuro das suas sombras você as entenda e as aceite. Lembre-se que não haverá luz se não existirem sombras. O que nos leva à conclusão óbvia: sombras são indispensáveis. Portanto, que você aceite as suas.
             Desejo, por fim, que depois de tudo, ao encarar seu reflexo, você tenha sido realmente bem sucedido e que não lhe venha aquela frase clássica: “Hello, stranger”ou , em um português bem prático, o famoso “Vem cá, te conheço?”
            Vai e boa viagem.

Débora Denadai
Enviado por Débora Denadai em 24/12/2005
Reeditado em 24/12/2005
Código do texto: T90153

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Sobre a autora
Débora Denadai
Caracas - Distrito Federal - Venezuela, 54 anos
722 textos (154037 leituras)
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Débora Denadai

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