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A burrice do preconceito

O motivo pelo qual alguns paulistanos tem orgulho de mostrar seu preconceito com o nordestino é a falta de informação. Essas pessoas filhas de imigrantes muitas vezes do Nordeste, acreditam que nascer em um determinado pedaço de terra as torna melhor que outras pessoas, sem se dar conta que devem conquistar as coisas na vida e que não basta ter nascido no sul ou o no norte de qualquer país para ser superior.

Esse preconceito no entanto não é apenas exclusivo dos paulistanos, o resto do mundo também está mergulhado nessa ilusão ingênua. Veja-se a divisão que a Europa sofreu no passado recente, e os problemas que isso acarretou. Veja-se a divisão na Itália, onde o povo do norte odeia o do sul, mesmo  problema que ocorre em Portugal.

Os novos burros desconhecem a história do Brasil e sustentam seu racismo doentio apenas na completa ignorância. Não sabem essas pessoas que São Paulo foi construida por mãos de homens e mulheres que deixaram suas terras em busca de uma vida melhor. Não porquê são vagabundos sustentados pelos pais cheios de preconceitos e estavam em busca de aventura, mas sim porquê nasceram em uma terra árida onde poucas pessoas tem condições de sobreviver dignamente e foram em busca de uma vida melhor, o que é ao meu ver uma decisão natural, quase que instintiva.

Não vejo nisso nenhuma razão para tratar essas pessoas como marginais ou menos dígnas de respeito. Vejo sim homens e mulheres de coragem e garra que viajaram por milhares de quilômetros e ainda tiveram forças para erguer tijolo por tijolo o que é hoje a mais rica cidade do país, mesmo vivendo à margem da riqueza que ajudaram a produzir.

Além disso, a colonização de exploração que o Brasil sofreu, nunca se preocupou em dividir a riqueza e os investimentos, concentrando os mesmos em uma única região. Salvador, depois Rio e por fim São Paulo, que cresceu somente depois da chegada de estrangeiros fugidos da guerra, mas que hoje tem em seus descendentes brancos de olhos claros os maiores percursores do ódio e da burrice, desconhecendo seu passado humilde.

Há pessoas que se vangloriam de terem nascido em São Paulo, no entanto a sua contribuição para o desenvolvimento do estado foi nula. Agregaram ao estado de São Paulo apenas sua mesquinhez e seu racismo tornando São Paulo uma meca de preconceituosos, onde se referir com desdém aos nordestinos é quase uma moda.

Hoje em dia sabemos o quanto é ruim para todo o país ter investido apenas em um único estado, criando assim uma enorme diferença social com as regiões mais distantes da capital paulista. Lentamente o Brasil está revertendo esse processo e alguns investimentos foram feitos nas regiões fora do eixo Rio - São Paulo - BH. No entanto ainda falta investir em educação, para que as pessoas compreendam que nascer no sul ou no norte não influi no caráter de uma pessoa. Idiotas, há me todos os lados.

Tenho pena das pessoas que ainda vivem esse sonho de superioridade sem nada fazer para merecer a chance de ter nascido em condições mais dignas, mostrando que nem mesmo com o dinheiro, o avanço tecnológico e o estudo adquirido, essas pessoas evoluiram e ainda estão anos luz atrás dos nordestinos que vivem na roça até hoje.

A internete e o Orkut são uma janela aberta para esse grupo da nossa sociedade onde eles se sentem à vontade para mostrar toda sua ignorância, criando comunidades onde sustentam suas teorias estapafúrdias pregando o ódio e a divisão social. Felizmente como tudo tem dois lados, até mesmo essa gente sem futuro serve de algo. Serve para nos mostrar como não devemos ser.

PS: (frequento São Paulo desde os 10 anos, fui casado com uma paulistana e tenho lá meus grandes amigos, posso dizer sem medo de errar que essas pessoas são a minoria, e que em São Paulo o povo é tão acolhedor como no resto do país.)

Não adianta apenas se lamentar da pobreza do Nordeste, é preciso fazer algo. E aos nordestinos também seja dado o recado. O bairrismo como resposta ao ódio de alguns paulistanos, só aumenta a diferença.

Ullisses Salles 27.12.2005
Ullisses Salles
Enviado por Ullisses Salles em 27/12/2005
Reeditado em 27/12/2005
Código do texto: T90879
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Sobre o autor
Ullisses Salles
Suíça, 40 anos
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